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11/07/2014

[Resenha] Lua Vermelha



Autor: Benjamin Percy

Editora: Arqueiro

Páginas: 432

Preço: 24,21 na Submarino

Velocidade da leitura: Rápida - Média - Demorada

Ano: 2013











Eles vivem entre nós. São os seus vizinhos, a sua mãe, o seu namorado. Eles mudam do dia para a noite. Como toda adolescente, Claire Forrester se acha meio deslocada. Quando agentes do governo invadem sua casa e matam seus pais, ela percebe o quanto é diferente. Claire pode se transformar em uma criatura semelhante a um lobo. Ela é uma licana. Patrick Gamble entra em um avião e, horas depois, desembarca como o único sobrevivente de um ataque terrorista promovido pelos licanos. Da noite para o dia, ele vira um herói nacional: o Menino-Milagre. O governador Chase Williams jura que, se for eleito presidente, protegerá o país da ameaça que aterroriza a população. Em meio ao acirramento dos conflitos entre humanos e licanos, seu discurso intensifica a discriminação. No entanto, ele vai se tornar exatamente aquilo que prometeu destruir. Cada um a seu modo, os três estão envolvidos em uma guerra que tem sido controlada com leis, violência e drogas. Mas uma rebelião está prestes a estourar, provocando mortes e destruição e entrelaçando seus destinos para sempre. Com a chegada da noite da lua vermelha, o mundo se tornará irreconhecível. A batalha pela sobrevivência da humanidade irá começar.


Lua Vermelha foi um livro que conheci em um evento da Editora Arqueiro, em novembro do ano passado. Após ter contato com sua sinopse e capa, fiquei apaixonada e não tive como deixar de levá-lo para casa, já ansiosa para saber o que a história me reservava. Estimulada pela indicação do mestre Stephen King, esperei ter um tempinho e me joguei de cara na leitura.

Enquanto eu lia, o que mais chamou a atenção de quem me via com o livro na escola foi a capa, que tem tons bem fortes e título bem saliente, o que deixou vários meninos (e meninas também!) loucos para saber do que a história se tratava. A edição também não fica atrás, a diagramação é simples e sutil, mas conquista o leitor à sua maneira. Quanto a revisão e tradução, não encontrei nenhum erro gráfico e gostei do cuidado que a editora dispensou a ela.

De modo afiado e extremamente retaliador, Benjamin Percy conta a trajetória de quatro personagens distintos, cada um com sua história. Primeiro temos Claire, uma menina desasjustada, cujos pais foram mortos por agentes do governo, mas que carrega uma possibilidade perigosa em seu cérebro: a de se transformar em uma criatura similar aos temidos licanos.

Atuando como a figura heróica da história, temos Patrick, o menino-milagre que é expert em escapar das piores enrascadas, mas ainda está se descobrindo e tem pensamentos um tanto confusos, típicos da adolescência. Finalmente, incorporando o antagonista do enredo, conhecemos Chase, o governador extremamente manipulador e que tem tudo contra os licanos, assim maquiando suas necessidades e sutilmente colocando seu povo contra eles.

Você acha que já viu demais? Então respira, que esse livro tem uma história densa e bem engenhosa. De um lado, temos uma sociedade que está sendo reprimida e luta por seus direitos de forma um tanto violenta, os licanos e entre os licanos e os humanos, podemos visualizar um grupo resistente que não concorda com as normas estabelecidas pelo governo atual e que se une em favor de ataques terroristas e qualquer tipo de manobra que possa chamar a atenção do terceiro grupo, os humanos.

No meio disso tudo, ainda permeia o agente lobos, um vírus que é transmissível como a AIDS (pelo sangue ou contato sexual) e em consequência disso, se aloja no cérebro dos infectados e provoca mutações extremas em seus corpos, transformando-os em lobisomens de acordo com sua vontade. Segundo as normas governamentais, por uma questão de segurança ao público, os licanos devem tomar drogas que os mantenham sob controle, impedindo que catástrofes maiores ameacem o equilíbrio entre as sociedades.

O que eu já descrevi aqui pode até parecer bastante aos olhos de quem leu, mas só lendo o livro para se ter noção de quão profunda é a abordagem feita pelo autor. Intrincadas nas páginas de Lua Vermelha, pude encontrar críticas implícitas a situação atual da nossa sociedade, bem como fatos históricos que todo bom historiador ou cidadão antenada poderia identificar num piscar de olhos. Cada pontada é sútil, porém, perceptível em todo o mar de ficção que ronda o universo criado por Benjamin Percy.

Tudo isso é muito bem disfarçado através da escrita fluida e intensa do autor, marcada pela terceira pessoa e dona de uma senhora descrição, não poupando o leitor dos detalhes mais viscerais das cenas apresentadas. O modo como construiu seus personagens e o universo de Lua Vermelha foi crucial para a criação de uma história bem estruturada e dosada com muito suspense e ação, os elementos necessários para me prender do início ao fim.

Utilizando-se de uma mocinha insegura que está prestes a descobrir sua força interior, um mocinho um tanto perdido que foge de problemas e uma figura política ambiciosa e relevante para a sociedade que criou, o autor me mostrou um universo frágil e instável, pronto para receber uma guerra de conflitos de interesses com proporções enormes. Apoiando-se no sobrenatural para causar impacto e salientar o que cada escolha poderia representar, Benjamin Percy foi feliz em cada rumo que decidiu dar a sua história, que me arrebatou por completo desde a primeira página.

As surpresas que envolvem os licanos e seu instinto feroz eu deixo no ar, para que vocês não percam o gostinho especial que forma o conjunto da obra. Sem dúvida, recomendo o livro aos fãs de Stephen King e a todos que gostam de ação com uma pitada de política.