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14/08/2014

[Literamúsica] Graffiti Moon #1

Olá, leitores lindos do Brasil (e de fora dele também)!

Venho dar início a Literamúsica, a nova coluna de música do blog! Tanta gente pediu playlists, posts sobre música e relacionados no blog, que eu decidi atender aos comentaristas e colocar mais essa coluna em ação. A cada post, farei uma playlist com músicas que eu relacionei a um livro que eu li, explicando os motivos e o que me levou a identificar cada canção.

Decidi começar com Graffiti Moon, um livro fofíssimo que eu li e curti muito. O livro é bem curtinho, então selecionei apenas quatro músicas. Mas acho que está de bom tamanho, né? Não sei se vocês teriam paciência de acompanhar uma lista maior, hahaha.

Preparados? Música, maestro!



1. Red Lights, by Tiesto - Sempre que eu escuto essa música, penso nos momentos que passo junto com meus amigos. Sabe quando você faz o que quer e não tá nem aí pro que os outros vão pensar? Essa é a vibe. Como Graffiti Moon cita a amizade de maneira despojada (alô, alô, Ed e Leo), rolou uma conexão imediata. Agora, ao invés de pensar no meu grupinho da escola, penso na galera do livro.

Nobody else needs to know
Where we might go
We could just run them red lights
We could just run them red lights




2. Ships in the Night, by Mat Kearney - Essa música tem muito significado em relação ao livro. Muito! Ela fala sobre distância, possíveis reconciliações e toda essa coisa de "perto, porém, longe". A letra me lembra muito da indisposição Beth x Ed x Lucy. Sério. Se vocês lerem o livro, vão perceber sobre o que eu estou falando, não tem erro! As notas suaves do piano me fazem lembrar principalmente da meiguice da Lucy e uma parte da letra (walk these halls alone) eu associo à solidão do Sombra.

Like ships in the night
You keep passing me by
We're just wasting time
Trying to prove who's right




3. Lucy in the Sky with Diamonds, by The Beatles - Acho que o título dessa canção já diz tudo, né? A Lucy é apaixonada por estrelas (sky with diamonds) e é super meiga, enquanto o Sombra pode ser encontrado no sentido artístico da letra. A música em geral me lembra muito uma cena específica do livro, na qual ela deita na grama para admirar as estrelas e desenhar no céu. Curiosamente, ela sempre tocava na abertura da novela quando eu abria o livro, aí acabei associando.

Somebody calls you, you answer quite slowly
A girl with kaleidoscope eyes




4. Monsters, by Timeflies ft. Katie Sky - Para encerrar, não podia faltar essa música. Tem tudo a ver com o final do livro e quem leu vai se identificar muito! Ela fala muito sobre o consolo e aceitar os defeitos (monstros) das outras pessoas. Não vou falar muito porque não quero dar spoiler, mas me emociono demais com o tamanho do significado que essa letra guarda acerca do livro, pois reflete muito nas características de determinados personagens.

I'll be your lighthouse
I'll make it okay
When I see your monsters
I'll stand there so brave
And chase them all away


O que vocês acharam do post novo? Estou louca para saber! Me diverti muito caçando as músicas e contando a minha experiência ~musical~ com o livro e espero fazer isso mais vezes, se possível. Espero que os fãs de música de plantão tenham curtido, pois finalmente pude atender seus pedidos.

Até mais!


10/08/2014

[Resenha] Graffiti Moon



Autor: Cath Crowley

Editora: Valentina

Páginas: 240

Preço: 26,00 na Livraria Saraiva

Velocidade da leitura: Rápida - Média - Demorada

Ano: 2014











Uma aventura emocionante e perigosa como um grafite clandestino. Uma noite de arte e poesia, humor e autodescoberta, expectativa e risco e, quem sabe, amor verdadeiro. Um artista, uma sonhadora, uma noite, um significado. O que mais importa? O ano letivo acabou, aliás, o último ano do ensino médio. Lucy planejou a maneira perfeita de comemorar: essa noite, finalmente, ela encontrará o Sombra, o genial e misterioso grafiteiro, cujo fantástico trabalho se encontra espalhado por toda a cidade. Ele está de spray na mão, escondido em algum lugar, espalhando cor, desenhando pássaros e o azul do céu na noite. E Lucy sabe que um artista como o Sombra é alguém por quem ela pode se apaixonar — se apaixonar de verdade. A última pessoa com quem Lucy quer passar essa noite é o Ed, o cara que ela tem tentado evitar desde que deu um soco no nariz dele no encontro mais estranho de sua vida. Mas quando Ed conta para Lucy que sabe onde achar o Sombra, os dois de repente se juntam numa busca frenética aos lugares onde sua arte, repleta de tristeza e fuga, reverbera nos muros da cidade. Mas Lucy não consegue ver o que está bem diante dos seus olhos.


Eu estava de olho na história de Graffiti Moon quando ainda nem tinha lançado aqui no Brasil. A curiosidade só aumentou no momento em que meu amigo me disse que tinha virado grafiteiro. Aí pronto! Fiquei ansiosa e falei pra mim mesma que assim que tivesse dinheiro, iria comprar o meu hardcover e ler o livro, mas meus planos mudaram quando a Valentina me aceitou como parceira, automaticamente me dando a oportunidade de resenhá-lo.

Quando ele finalmente chegou aqui, não fiquei tão surpresa ao perceber que realmente não gostava da capa. É fato gente, eu detesto esse grafite que eles colocaram na edição brasileira. Tanta edição bonita, foram escolher logo essa? Claro que tem leitor que curtiu, mas eu não estou nesse grupo, infelizmente. Apesar de ter desgostado do design da capa, eu me amarrei mesmo foi na diagramação da obra em si. A editora teve todo um cuidado em deixar o estilo despojado e urbano do mundo do grafite bem óbvio, o que me agradou muito. Outro ponto que eu curti demais foi a revisão e tradução, que estavam impecáveis.

Acho que todo mundo já adivinhou que eu comecei a ler toda fominha, né? Estava doida para conhecer os personagens e mal sabia o que me aguardava. Acontece que Graffiti Moon fala sobre Lucy, uma menina super romântica que é apaixonada por artes e sonha em conhecer um dos seus maiores ídolos: Sombra, o grafiteiro da cidade. Além de ser muito talentoso em companhia de seu parceiro Poeta, ele é muito misterioso e poucos conhecem sua verdadeira identidade.

Na busca pelo grafiteiro, Lucy acaba esbarrando com Ed e Leo, dois amigos que andam sempre juntos e aprontam de todas. Como sua melhor amiga Jazz ficou a fim de Leo, eles acabam passando a noite juntos (na rua, tá gente?) e os dois resolvem ajudá-las a procurar pela dupla do grafite, acompanhados por Daisy e Dylan, um casal de namorados que está preso por um fio e é amigo do grupo.

Agora que vocês já conhecem mais da sinopse, me digam: tem como deixar de ler? Já respondo logo, não tem! A narrativa da Cath Crowley é muito peculiar, cheia de menções a arte e com descrições recheadas de metáforas lindíssimas. Não vou colocar nenhum quote aqui porque quero que vocês confiram por si mesmos, mas posso garantir que é algo totalmente diferente do que eu já tinha lido. Ela escreve na primeira pessoa, intercalando os capítulos entre a visão do Ed e da Lucy, que são personagens totalmente diferentes um do outro.

E isso é algo muito legal de se pontuar. Além de serem uns fofos (cada um à sua maneira), eles formam uma dupla bem característica e interessante de se acompanhar. Enquanto o Ed é tipicamente das ruas, fala aquelas gírias todas, vive no perigo e tem uma mãe pobre que luta para dar a ele um futuro melhor - ainda que ele não queira -, a Lucy é toda fofinha e trabalha soprando vidro (!!!), como assistente de um artesão. E não é só isso não: os personagens secundários tem um destaque enorme também. O Léo é muito ligado a escrita de uma maneira divertidíssima e a Jazz é vidente! E não é dessas videntes charlatãs não, viu? A menina tem mesmo dons sobrenaturais, como sua mãe.

Outros dois personagens de quem eu gostei muito foram Dylan e Daisy, o casal que vira e mexe está entre tapas e beijos. Eles são muito engraçados e a Daisy já começa a história doida da vida porque levou ovada na cara, imaginem! Também tem vários outros personagens que me marcaram com seu jeito de ser, mas sobre os quais não falarei aqui para deixar o suspense no ar.

Mas uma coisa que eu gostei demais foi o trabalho da escritora no livro. As cenas são muito bem elaboradas, tudo se encaixa do jeito que deve ser e o romance vai se desenrolando de uma forma tão leve que te prende e ao mesmo tempo te deixa querendo largar o livro pra não terminar. Eu demorei muito para terminar a leitura, simplesmente porque não queria me despedir dos personagens e dessa história maravilhosa. É um livro curtinho? Sim, mas é um curtinho que você vai querer economizar até a última página. Definitivamente, recomendo a todos os públicos! Quem adora um romance super fofinho e descontraído vai se identificar mais ainda, que nem eu, que já aderi e o adicionei aos meus favoritos.


30/06/2014

Conseguimos parceria com a Editora Valentina!



Sim! É isso o que você, leitor, acabou de ler. O blog Páginas Encantadas agora é parceiro da Editora Valentina! Dá um high-five do outro lado da telinha aí! o/

Tendo publicado títulos desejadíssimos como Alma?, Fale! e Passarinha, a editora é nova no mercado e já conquistou o coração de vários leitores e blogueiros (inclusive o meu né, gente?) com suas publicações e trabalho editorial. Confiram as capas dos livros que eu citei:



A parceria vai durar até junho de 2015 e eu digo que "conseguimos" no plural, porque essa união se deve não só por causa do meu trabalho, como por conta da atenção e dedicação de vocês, leitores do blog. Por causa disso, a parceria também vai beneficiá-los, com resenhas futuras e ações em parceria com a editora.

Desde já, o meu muito obrigada pelo apoio, confiança e acompanhamento de todos vocês, que tem um lugar especial no meu coração! ♥

E é isso aí, gente. Espero que tenham curtido a novidade tanto quanto eu!

Até mais!


07/03/2014

[Resenha] Fale!



Autor: Laurie Halse Anderson

Editora: Valentina

Páginas: 248

Preço: 19,40 na Fnac

Velocidade da leitura: Rápida - Média - Demorada

Ano: 2013











Sinopse: “Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia.

E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra - insultos e deboches, sim - ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir.

Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?


Esse foi o primeiro livro que representou a minha quedinha pela feirinha situada perto do meu trabalho, em uma das saídas do metrô (a.k.a saída da tentação), onde vários vendedores se reúnem com pilhas gigantes de livros a venda por diversos preços. Eu tinha prometido que não ia comprar nada tão cedo, mas antes mesmo de receber o meu primeiro salário, parei ali durante a hora do almoço para dar uma olhadinha e inocente e... Acabei voltando para a minha seção com um livro semi-novo debaixo do braço. Eu já estava esperando muito da leitura, visto que tinha ouvido pessoas de confiança falarem bem da obra, o que deu resultado a expectativas extremamente altas.

A diagramação da Editora Valentina ficou uma gracinha, trazendo um clima leve em contraste a história densa que Melinda tem para nos contar. A capa tem um significado que dá para se descobrir durante a leitura e a tipografia providenciada pela editora ficou muito agradável. Foi a minha primeira experiência com algum livro da Valentina e para mim, foi bem proveitoso. Já sei que posso comprar livros da editora sem ter problemas, em um futuro próximo.

Melinda é uma estudante prestes a ingressar no primeiro ano do ensino médio, mas que não está tão empolgada para isso. Após ter acionada para a polícia durante uma festa badalada, ocasionando a prisão de alguns estudantes que se encontravam por lá, a menina não está exatamente rodeada de amigos. Na verdade, mesmo que ninguém saiba o que realmente aconteceu na festa, as pessoas a ignoram e desprezam, fazendo piadas e a colocando em situações constrangedoras sempre que possível.

É acompanhada pelas inspiradoras aulas de arte que Melinda enfrenta seus demônios, ao mesmo tempo que desafia o leitor a descobrir o que lhe aconteceu. Deixando-se levar pela recusa de seus amigos, Melinda se fecha a ponto de descuidar de suas notas e deixar de falar, se permitindo apenas a pensar, na maioria das vezes. Para que o mistério possa ser desvendado e saibamos o que aconteceu com a garota, é preciso que ela se liberte de seu passado e Fale!

Mal comecei o livro e já comecei a chorar. Nas primeiras páginas, dei de cara com uma nota da autora e um poema feito a partir de trechos de cartas enviadas por leitores de todo o mundo. Foi impossível não deixar as lágrimas escorrerem diante da triste realidade de tanta gente sendo representada de forma tão crua e direta. Claro que esse foi apenas o início do que eu tive de enfrentar a seguir, eu só não sabia disso.

Laurie Halse Anderson nos guia através do livro com uma narrativa em primeira pessoa, do ponto de vista de Melinda e com o auxílio de uma escrita simples e carregada pelas emoções da mesma. Conseguem imaginar mais ou menos o que eu quero dizer? Cada passo da personagem é descrito de maneira leve, sem sobrecarregar o leitor com informações muito descritivas, mas ao mesmo tempo, situando-o na história. Durante a leitura, me senti como se fosse a única confidente de Melinda e não pude evitar a identificação forte com a personagem, que me levou a grandes pausas para secar lágrimas e conter soluços.

Ao longo de toda a minha trajetória como leitora, acho que nunca cheguei a me identificar com uma personagem a esse ponto. Melinda tem medos e inseguranças, mas não deixa de ser sarcástica e incrivelmente direta... Como eu sou, algumas vezes. Num todo, a protagonista é bem complexa e palpável, uma personagem muito interessante de se acompanhar e alguém por quem eu torci muitas vezes, não só por me identificar.

As questões trabalhadas no livro vão além do que a personagem principal está passando. É em minha opinião, uma obra que deveria ser incluída nas escolas do nosso país, por abordar o medo perante à inclusão social, distribuição de grupos e panelinhas, dentre muitos outros assuntos presentes na esfera social que compõe o ensino médio.

Uma coisa que eu achei interessante e que me aproximou bastante da personagem, foi o fato de além do livro ser dividido em partes (de acordo com o período de exames estudantil), ser subdividido de acordo com o que Melinda passava, seja na escola ou até mesmo, em casa. Como a personagem é muito criativa, vide sua habilidade em artes, foi muito legal acompanhar cada subdivisão.

Os personagens secundários são, basicamete, segundários. Por assim dizer, quero demonstrar que eles não são tão desenvolvidos (não que isso tenha sido necessário). Sobre eles, só sabemos o que Melinda nos conta, já que o foco da história está totalmente virado para ela. E mesmo não sabendo tanto, a imaginação da garota nos dá uma base muito boa de como as pessoas são, outra característica que apreciei muito nela.

Em geral, Fale! é uma obra e tanto. Não falarei tanto de sua trama, pois tenho medo de dar algum spoiler, mas é uma história digna de ser contada e ouvida. Falando sobre superação, amadurecimento e aprendizado, o livro me tocou de uma maneira que não acontecia há muito tempo e eu mal posso honrá-lo com essa resenha, mas convido vocês a apreciarem essa leitura magnífica, na companhia de Melinda. Sem dúvida, mais um favorito!