Autor: Jennifer Brown
Editora: Editora Gutenberg
Páginas: 256
Preço: 28,34 na Siciliano
Leitura: Rápida - Média - Demorada
Ano: 2012
Sinopse:E se você desejasse a morte de uma pessoa e isso acontecesse? E se o assassino fosse alguém que você ama? O namorado de Valerie Leftman, Nick Levil, abriu fogo contra vários alunos na cantina da escola em que estudavam. Atingida ao tentar detê-lo, Valerie também acaba salvando a vida de uma colega que a maltratava, mas é responsabilizada pela tragédia por causa da lista que ajudou a criar. A lista com o nome dos estudantes que praticavam bullying contra os dois. A lista que ele usou para escolher seus alvos. Agora, ainda se recuperando do ferimento e do trauma, Val é forçada a enfrentar uma dura realidade ao voltar para a escola para terminar o Ensino Médio. Assombrada pela lembrança do namorado, que ainda ama, passando por problemas de relacionamento com a família, com os ex-amigos e a garota a quem salvou, Val deve enfrentar seus fantasmas e encontrar seu papel nessa história em que todos são, ao mesmo tempo, responsáveis e vítimas. A lista negra, de Jennifer Brown, é um romance instigante, que toca o leitor; leitura obrigatória, profunda e comovente. Um livro sobre bullying praticado dentro das escolas que provoca reflexões sobre as atitudes, responsabilidades e, principalmente, sobre o comportamento humano. Enfim, uma bela história sobre auto-conhecimento e o perdão.
Antes de ter o livro em mãos, já reservava muitas expectativas para com ele. Ganhei a obra de minha querida madrinha, durante uma de nossas infinitas excursões pelas livrarias do Rio de Janeiro, mais especificamente, pela Livraria da Travessa do Shopping Leblon.
O design ficou extremamente bem cuidado. A pegada juvenil da capa comprometeu um pouco a mensagem que o livro queria passar (meus amigos da escola achavam que se tratava de um romance juvenil, ao estilo da Paula Pimenta), pois deixa de transparecer o assunto sério que ele aborda. Do mesmo modo, acabou aliviando a carga pesada que o enredo carrega. Gostei muito da diagramação e principalmente, do fragmento da lista negra ilustrado na contracapa, que nos dá uma ideia de como ela foi escrita.
Durante a leitura conhecemos Valerie, ex-namorada de Nick Levil e protagonista da história. Achei muito bom o jeito com que Jennifer Brown expressou os medos, ansiedades e angústias da mesma, pois nunca conheci uma personagem tão real e bem construída como tal.
Pude acompanhar atentamente todo o processo de sua recuperação, enquanto ela tentava superar o ocorrido causado por aquele que amava, que não só afetou as pessoas ao seu redor, como ela mesma. Preciso dizer que me identifiquei muito com diversas passagens do livro? Me senti como uma amiga próxima de Valerie na obrigação de ajudá-la. Jennifer construiu uma personagem capaz de te tocar, te fazer sentir e refletir a respeito de seus atos.
Apesar de ter foco em uma personagem específica, a autora não descuida em mostrar tudo sobre os personagens secundários, também atingidos pelo evento. Gostei bastante da história ter todo um envolvimento com a arte, mostrando por meio de desenhos descritos por Valerie, seus sentimentos. Não me afeiçoei por nenhum outro personagem que não a principal, mas todos eles são tão reais e bem construídos quanto ela.
O livro é intercalado por memórias, flashbacks e trechos de reportagens que relatam o que aconteceu durante o tiroteio. A ideia de Brown ficou muito bem desenvolvida, não faltou informação alguma. Sua escrita é descritiva o bastante para nos dar uma visão bem clara do que está acontecendo ao redor da protagonista. Definitivamente, me sinto encorajada a ler outras obras da autora, tal qual Bitter End, ainda não lançado no Brasil. Leitura muito recomendada.

