Hoje é dia de dizer olá a uma coluna nova do blog. É isso aí! Na Pipoca Encantada, vou falar sobre os filmes que tenho assistido recentemente. Eu sei que o blog é direcionado aos livros, mas filmes também possuem - na maioria das vezes, né? - histórias, roteiros e um processo de produção que vale a pena ser comentado. E é claro que eu não poderia deixar passar uma crítica após ter assistido o tão bem comentado Mama.
Eu sou dessas pessoas que ama terror, mas não tem o costume de assistir filmes do gênero no cinema. Morro de medo mesmo, sempre acho o som muito alto e a tela grande demais para simplesmente tapar os olhos e esconder a visão aterrorizante à minha frente. Mas como para tudo se tem uma primeira vez, resolvi arrastar minha amiga Raquel para ir assistir Mama comigo no cinema, já que nosso grupo de amigos tinha combinado tudo às pressas depois do aniversário de um certo amigo nosso e não conseguimos ir, por conta da super-proteção de nossos pais. Então lá fomos nós, lindas, maravilhosas e morrendo de medo do filme. Só que para minha surpresa, Mama se revelou muito mais do que apenas um filme de terror.
No começo, já somos apresentados às irmãs Lily (Isabelle Nélisse) e Victoria (Megan Charpentier), que são levadas pelo pai em fuga, que acaba de cometer um massacre envolvendo a morte de dois de seus sócios e a da mãe das meninas. Com pretensão de matar suas filhas e logo após cometer suicídio, após ter seu carro capotado, ele leva ambas a uma cabana no meio de uma floresta abastada pela neve. Ele está prestes a enfiar uma bala na nuca da menina mais velha, quando algo acontece e ele é arrastado para longe de sua filha.
Cinco anos depois, as meninas são encontradas e levadas para a cidade, onde ficam sob a custódia do governo por alguns dias a tempo de receber tratamento psicológico até que seu tio por parte de pai (Nikolaj Coster-Waldau) reclame por sua guarda. Sob a condição de que as meninas continuem recebendo o acompanhamento de um determinado psicólogo (Daniel Kash) que não poupa esforços em mostrar que planeja ganhar um certo valor acadêmico com a situação das meninas - você realmente esperava que sobrevivendo na floresta por 5 anos, essa duplinha voltaria em condições socialmente aceitáveis? - as meninas começam a viver com o tio e sua namorada, Annabel (Jessica Chastain).
O grande problema é que parece que as meninas não estão sozinhas. Gravações durante o acompanhamento psicológico mostram que ambas parecem conversar com uma entidade desconhecida, chamada por elas de Mama. O psicólogo tenta arguir que elas teriam sobrevivido criando um amigo imaginário que tivesse a capacidade de alimentá-las, cantar para elas dormirem e conversar com elas. Ele também levanta a suposição de que a irmã mais velha, Victoria, estaria incorporando a personalidade de Mama, mas não é bem por aí.
Apesar de não ser especialista em cinema e não ter um olho crítico para filmes, me empolguei em falar um pouco sobre Mama por ter achado ser um filme realmente bom. As atuações são muito convincentes e você pode ver que em momento algum, as personagens deixam de abandonar suas origens. Desde o começo você já percebe que por ter sido abandonada com um bocado de conhecimento sobre a vida humana, Victoria já possui uma base diferente de sua irmã, Lily, que deixou a sociedade com idade mínima o suficiente para que ela não se lembrasse muito bem de sua vida antes da floresta.
Eu gostei muito mesmo das atuações e sou obrigada a dar destaque às duas meninas, que conseguiram me deixar maravilhada por serem tão novinhas e ainda assim, terem conseguido incorporar suas personagens com excelência. A trilha sonora também ficou muito boa e me fez ficar apreensiva nos momentos em que devia ficar, perdi a conta das vezes em que tampei os ouvidos com as mãos e fechei os olhos, com medo do que viria a seguir.
A filmagem está ótima! A câmera é focalizada nos lugares certos e cenas reproduzidas em sonho são o ponto alto - em minha opinião - do filme, você fica em dúvida se isso está acontecendo ou se a personagem está dormindo... Achei o efeito incrível! Mas o que eu mais gostei em Mama, foi o fato de o filme não ter o intuito de apenas assustar seu público. Mama explora as relações familiares, o abandono, o amor de uma mãe e o psicológico infantil, o que vai muito além do terror. Eu cheguei a chorar no final do filme, de tão tocada que me senti. Gostei muito de ter sentido diversas sensações enquanto assistia o filme, coisa que não acontecia há muito tempo quando ia ao cinema. Mas não se enganem: essa obra cinematográfica pode abordar outros assuntos, mas não deixa de te dar uns bons sustos. Eu cheguei a pular em algumas cenas, tamanho o susto.
Se você quer se assustar, se emocionar e ainda sair do cinema com a sensação de ter gastado bem o seu tempo e dinheiro em uma sala escura, Mama é o filme certo. Recomendo demais, pois ainda estou viciada nessa longa metragem em minha opinião, muito bem produzida.

