Não é com pouca frequência que me perguntam por que eu leio tanto. As pessoas simplesmente não conseguem entender esse vício, assim como o motivo de eu investir tanto dinheiro no que parecem ser apenas papéis encadernados de diversos formatos. Quase todo dia me perguntam qual a razão de eu ter vários desses empilhados por todo lugar, o que me leva a carregá-los comigo aonde quer que eu vá e se eu não tenho nada pra fazer além de ficar virando páginas o dia inteiro.
Mas parando pra pensar, não é que a pergunta é interessante? De início, eu lembro que comecei a ler por puro incentivo. Quando eu era pequena e ainda não sabia ler textos, mamãe costuma dizer que eu lia as imagens. Gostava de interpretar as figuras e ficar horas de pernas por ar com minhas pilhas de gibi ao lado. Meus pais sempre deram muita importância quanto a plantar esse hábito em mim, por isso que toda noite minha mãe me contava histórias antes de eu dormir, me incentivava a escrever pequenas redações assim que aprendi a ler e escrever e principalmente, comprava gibis para mim todos os dias.
Com o passar do tempo, fui crescendo e conheci as bibliotecas. Como eu só conhecia as livrarias como meio de adquirir livros, não podia comprá-los com frequência por considerá-los muito caros. É claro que eu sempre juntava o meu dinheirinho para adquirir o próximo exemplar, mas quando eu não tinha um livro novo para ler, ou relia os que já tinha, ou então, recorria às bibliotecas. Lembro que com meus 9 anos, li 200 as páginas de um livro de contos dos Irmãos Grimm em um dia pela primeira vez e fiquei muito feliz com a realização. As bibliotecárias da minha escola me conheciam e estavam sempre me recomendando livros novos, até que minha madrinha resolveu entrar na história também.
Na época, eu estava passando por diversos problemas, tanto na escola, quanto em casa. Meus pais estavam se separando e na escola, comecei a sofrer bullying. A partir desse momento, passei a ler por ser uma importante válvula de escape. Sou muito grata a minha madrinha até hoje, que quando eu mais precisei, passou a me dar livros uma vez por mês. Era regra: todo mês ela me levava a uma livraria grande e me deixava escolher um, dois ou às vezes, três livros que eu gostasse para levar pra casa. Enquanto eu lia, os livros me davam tanto prazer e bom humor que eu podia esquecer os problemas, pelo menos até ganhar o próximo.
Com o tempo, fui parando de falar com as pessoas e sair de casa só para poder ler um pouquinho mais. Não demorou muito a meus amigos começarem a reclamar e meus pais ficarem preocupados porque eu não saía bastante. Os professores reclamavam que eu lia durante as aulas e cheguei a receber várias broncas por causa disso. Muito tempo depois e com o impacto de algumas consequências, resolvi me obrigar a equilibrar as coisas e dar mais atenção à vida real.
A partir desse momento, criei o blog e comecei a ler por prazer. Hoje gostava de degustar das histórias, passar as páginas, sentir o cheiro de livro novo recém saído da gráfica e admirar minha coleção repetidas vezes. Uso e abuso dos livros como válvula de escape, mas tenho a consciência de que um dia vou ter que enfrentar o problema cara-a-cara. Leio porque a leitura me faz feliz, porque gosto de me envolver com a escrita do autor, adoro esse bate-papo que ocorre entre o livro e o leitor durante a leitura. Leio para me sentir bem, adquirir cultura, melhorar a escrita! Leio porque ler é tudo de bom.
Hoje em dia, eu me estresso se não estiver lendo diariamente. Não consigo ficar longe dos meus livros. Não só gosto de ler tudo o que tenho em alcance, como também quero criar a minha própria história. Fiz amigos por causa da leitura, pessoas maravilhosas em quem sei que posso confiar e contar sempre. Concluindo, sou mais feliz com a literatura em minha vida e é por isso que eu leio!















