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18/02/2014

[Resenha] O Morto



Autor: Charlie Higson

Editora: Galera Record

Páginas: 432

Preço: 31,20 na Fnac

Velocidade da leitura: Rápida - Média - Demorada

Ano: 2013











Sinopse: Cruzar os mais de 60 quilômetros entre a vila de Kent e Londres, de ônibus, com os amigos do colégio, a princípio pode parecer uma excursão comum. Mas em um mundo infectado por maiores de 16 anos, cheios de feridas purulentas e famintos por carne humana, esse roteiro não é exatamente um passeio. É o plano de fuga para a possível salvação de Jack, Ed e de mais alguns garotos, em uma busca desesperada por um lugar seguro. Mesmo que ninguém tenha certeza de que esse lugar ainda exista.


Essa leitura eu passei na frente de muitos livros. Quando ganhei de presente da minha madrinha, o livro ficou me tentando até que eu finalmente cedesse e mergulhasse em sua história. Não preciso nem dizer que tendo lido O Inimigo, as expectativas ultrapassaram os limites.

Como sempre, curti muito a capa e a diagramação proporcionada pela Galera Record ao segundo livro da série O Inimigo. É certo que lamentei um pouco pelas capas não seguirem um determinado padrão, mas como as lombadas combinam, resolvi relevar esse ponto. Novamente, o máximo que encontrei durante a leitura foram erros de impressão e fiquei muito feliz por me deparar novamente com uma tradução impecável e revisão em igual escalão.

Dessa vez, Charlie Higson retrocede um ano em seu apocalipse e nos conta a história no momento em que tudo começou a explodir. Agora, o foco é voltado para um grupo de meninos que estudam em um colégio interno e não tem muito contato com o sexo feminino, muito menos com qualquer tipo de estratégia relacionada a defesa pessoal e sobrevivência. Praticamente à beira da morte, eles se deparam com um adulto milagrosamente sobrevivente à epidemia, o qual se propõe a levá-los a um lugar mais seguro dentro do ônibus que ele dirige.

Desesperados pela chance de sobreviver, as crianças não sabem em quem confiar e para que lado seguir. Com os adultos avançando cada vez mais famintos de carne e sedentos de sangue, eles terão que aprender como se virar em meio a esse cenário aterrorizante na marra, tendo a consciência de que um deslize, por menor que seja, pode levá-los a morte certa.

Mais uma vez, Charlie Higson me surpreendeu e me fez bater palmas após terminar a leitura. Confesso que comecei o livro com um tantinho de medo do autor errar a mão no segundo livro da série e acabar tornando tudo monótono, mas o mesmo usou de suas habilidades mágicas corretamente e guiou a história de modo que o ritmo da tal só acelerasse ainda mais.

Dessa forma, foi com muito prazer que mais uma vez enveredei por seus personagens complexos e cometi o pior erro como leitora dessa série: me apeguei a um deles. Se tem uma coisa que eu não recomendo a vocês é justamente isso, criar afeição por qualquer personagem que esteja sob o domínio de Higson. Por conta desse erro, sofri durante várias páginas e obriguei meu namorado a testemunhar um de meus momentos de histeria enquanto berrava sobre os maus bocados pelos quais o fulano estava passando. Não se enganem, Charlie veio para matar e mantém seu objetivo nesse livro também.

E mesmo que o autor seja um assassino a sangue frio, alguns dos personagens que conheci em O Morto não são. Se em O Inimigo acompanhei crianças que sabiam lutar e usar armas pesadas, nessa continuação encontrei personagens indefesos e totalmente perdidos, correndo em círculos e procurando se virar o quanto dava. Achei legal por parte do autor nos mostrar essa outra versão do universo, onde criancinhas frágeis correm por suas vidas e não sabem como lidar com a problemática exposta, diferente dos super heróis organizados em poderosos exércitos que vi no livro anterior.

Também vale ressaltar que se encontramos personagens um pouco mais fracos (fracos fisicamente, por favor) do que os vistos anteriormente, é óbvio que as cenas grotescas serão mais fortes. Não recomendo que leiam enquanto estiverem comendo ou prestes a realizar uma refeição, pois algumas cenas vão te dar vontade de colocar tudo pra fora, se você realmente se colocar no lugar dos personagens, como eu.

Falando nisso, o turbilhão de emoções continua agindo na mesma intensidade. Chorei, gritei, esperneei e solucei horrores enquanto acompanhava a trajetória dos personagens, tamanho o meu desespero para com eles. Durante a leitura, me senti tão próxima do grupo que não deu para evitar o aperto no coração que sentia cada vez que alguém era mutilado, seja física ou emocionalmente (aconteceu muitas vezes).

Outro ponto que me fez amar o desenvolvimento do livro foi a conexão que o autor estabelece entre livro 1 e livro 2 em determinado momento. Se você leu O Inimigo e curtiu, espere só até terminar O Morto. Ainda não li O Medo, terceiro livro que está por vir, mas se Charlie Higson quis provar sua genialidade entre as páginas dessa obra, posso afirmar com muita certeza que ele conseguiu, pois o final e o gancho desse livro são de arrepiar, literalmente.

E é por essas e outras que eu continuo recomendando essa série mais do que tudo. Leitura totalmente emocionante, um dos meus favoritos da vida!


29/01/2014

[Resenha] O Inimigo



Autor: Charlie Higson

Editora: Galera Record

Páginas: 480

Preço: 26,91 na Lojas Americanas.

Velocidade da leitura: Rápida - Média - Demorada

Ano: 2011











Sinopse: Uma doença tomou conta da cidade e ninguém com mais de 14 anos escapou. Agora os adultos restantes vagam famintos, quase como zumbis, pelas ruas em busca de alimento. Enquanto isso, as crianças precisam lutar para sobreviver em meio a esse caos, buscando proteção e comida que está rareando.
Mas agora surge um boato sobre um novo lugar, mais seguro e abastecido, e um grupo de meninos resolve enfrentar o perigo e atravessar a cidade correndo mais riscos do que nunca. Os inimigos estão à espera. Será que as crianças chegarão lá vivas?


Desde que li uma resenha no blog Leituras & Fofuras, fiquei ansiosíssima para ler esse livro. A curiosidade aumentou ainda mais conforme fui lendo outras resenhas de blogueiros dos quais sou fã e sendo todas elas super positivas, me senti mega encorajada a garantir meu exemplar quando viesse a oportunidade. E não é que não demorou tanto? Foi só o natal chegar que o Submarino cortou o preço de O Inimigo pela metade, a deixa que eu precisava para pedir o meu de natal. Presente comprado, leitora satisfeita, foi só ele chegar que comecei a devorar!

Ao contrário de muitas pessoas, eu curto muito a capa desse livro. Pessoalmente, ela tem uns toques metálicos muito legais nas caveirinhas, o que deu uma aparência espetacular ao design, na minha opinião. A diagramação interna é bem simples, mas demarcada com uma caveirinha ao começo de cada capítulo. Já deve ser do conhecimento de vocês que eu sou apaixonada pela tipografia usada pela Galera Record, certo? Se não, marquem aí: é a que mais me facilita a leitura, com letras em tamanho mediano e espaço bem distribuído na página. A tradução não deixou nada a desejar, todos os termos foram muito bem traduzidos e colocados, adorei! Encontrei alguns errinhos de revisão e impressão durante a leitura, mas nada que a comprometesse.

Pessoas com mais de catorze anos foram afetadas por uma doença cerebral que faz com que os atingidos se tornem agressivos e famintos por qualquer coisa que esteja viva. Atacados também por infecções e erupções cutâneas, os adultos estão chegando e tem sede de matar. Em O Inimigo, conhecemos a trajetória rumo à sobrevivência de alguns grupo de crianças que após viverem por um longo tempo em um supermercado aprimorado para atender suas necessidades, recebem a possibilidade de rumar para uma estadia aparentemente melhor, localizada nos aposentos do Palácio de Buckingham.

Assustados com a possibilidade de morrer de inanição pela escassez de comida que se aproxima, eles resolvem atravessar Londres rumo à sua única alternativa. Porém, no caminho eles terão que lutar contra muitos grupos e multidões de adultos que vagam pelas ruas e prédios abandonados, à espreita de carne fresca à vista. Será que conseguirão alcançar seu objetivo em segurança? Ou essa promessa quase divina será apenas mais um retrato do pesadelo infindável que suas vidas se tornaram?

É com uma narrativa ágil, sob diversas perspectivas e ângulos que conhecemos a realidade das crianças sobreviventes ao universo apocalíptico criado por Charlie Higson. Sem piedade do leitor e principalmente, de seus personagens, o autor não economiza palavras para descrever o quanto é dura a batalha dos garotos pela vida, que pode lhes ser tirada cruelmente na próxima linha. Como vocês já podem imaginar, as cenas de ação e suspense são muito bem elaboradas e descritas, de modo que eu não recomendo que você leia esse livro durante uma aula importante ou enquanto faz alguma refeição, pois mesmo que a cena seja de embrulhar o estômago, você não vai querer parar de ler.

O melhor do livro é que é um desafio finalizar sua leitura, já você nunca sabe até quando seu personagem favorito pode durar e por mais que queira descobrir, faz aquela economia básica de páginas, por conta da história ser tão boa que não dá vontade de terminar. Mas o aviso já fica dado desde o início: todos os personagens estão expostos a riscos, qualquer um pode morrer. E quando eu digo qualquer um, estou incluindo todos os personagens bad-ass e até os mais fofinhos. Ninguém está a salvo da escrita ácida de Charlie Higson e seu universo cruel.

Prepare-se para sentir muita pena dos personagens que não conseguirem aguentar o ritmo do autor, pois cada um deles é muito bem desenvolvido e apresenta características tão sólidas que é como se você estivesse ao seu lado. É um choque tentar acreditar que eles são apenas crianças, tendo em vista a realidade terrível com que tem que lidar e toda a responsabilidade entregue a eles, afinal, agora é sobreviver ou morrer, e ninguém quer ficar para trás. Ninguém está em sua zona de conforto e todos estão dispostos a lutar com armas pesadas e métodos assombrosos para abrir os olhos e respirar saudavelmente no dia seguinte.

E aviso mais, a atmosfera do livro é super pesada e o autor é capaz de transmitir todos os sentimentos vinculados à mesma com uma perfeição digna de mestre. Não conseguia largar meu exemplar em meio à tanta aflição, ânsia, raiva, tristeza e terror que me foram passados a cada virada de página. Me atrevo até a dizer que me senti tão aflita e domada quanto nos momentos em que li Sob a Redoma.

Finalizando, é um livro que eu recomendo a todos os amantes do bom suspense distópico e, claro, de zumbis aterradores e seus combatentes. Quem curte The Walking Dead com certeza vai se deliciar com as quase 500 páginas de O Inimigo. É, sem dúvida, um dos melhores livros que já li em minha vida.