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09/05/2014

[Pipoca Encantada] Os Delírios de Consumo de Becky Bloom



Adaptação do bestseller de mesmo nome, Os Delírios de Consumo de Becky Bloom era um filme que eu queria muito assistir. Sendo uma comédia romântica que fala sobre uma jornalista consumista em apuros, eu não tinha dúvidas de que esse seria um must watch, mas não esperava que se tornasse o meu filme favorito.

Quando assisti ao filme, ainda não tinha lido o livro (lá vou eu de novo!) e por isso fiquei com medo de pegar spoilers, mas para quem assistiu na mesma situação que eu, aí vai uma notícia boa: o filme segue um plot totalmente diferente do livro.

No longa, Rebecca Bloomwood (Isla Ficher) é uma jornalista com dívidas até a garganta, que foi recentemente demitida e tem o sonho de trabalhar em sua revista de moda favorita, chamada Alette. É com muito estilo e glamour que ela consegue uma entrevista para um cargo na revista, que infelizmente não dá certo, pois quando Becky chega à recepção, é notificada que o cargo já foi ocupado. Quando ela se vê sem esperanças de conseguir seu emprego dos sonhos, é indicada a uma entrevista na área de finanças da mesma editora e passa a escrever dicas para quem está no vermelho. Entre delírios de consumo e tentativas de rechaçar cobradores de banco, acompanhamos a trajetória de Becky Bloom rumo ao sucesso.



Acho que o que mais me encantou no filme foi o carisma da atriz escolhida. Não tem como você não se apaixonar pela Becky do filme, impossível! Ao mesmo tempo que ela se mete em confusões extremas e mente para escapar delas, você percebe uma certa ingenuidade e pureza nos seus olhos. O real desespero da personagem e a ausência de malícia em seus planos de escape me fizeram torcer demais por ela, ainda que ela errasse muito em determinadas situações.

No ranking, o segundo ponto que me deixou feliz por ter apostado nesse filme foi a individualidade do mesmo. Curti muito o fato de ele ser bem diferente do livro e se apoiar em um plot original, já que ao assistir a adaptação os leitores não pegam spoilers e podem ler o livro sem preocupações e se surpreender com o enredo diferente, como aconteceu comigo.

O terceiro ponto que mais me agradou no longa foi o estilo das personagens. Sendo a Becky uma cliente fiel das lojas mais conceituadas da moda, fiquei encantada com seus figurinos presentes na telona, que não deixaram a desejar em nada. Se você for pesquisar na internet, pode perceber que os looks de fato foram compostos por peças de grife, seguindo o modelo da personagem.



Eu também não podia deixar de falar do romance superfofo que permeia a atmosfera do filme. Não vou falar quem se apaixona por quem porque aí já é demais, mas eu suspirei muito enquanto assistia e não deixei de soltar aquele "ownnnnn" que só os melhores merecem.

Já o fator comédia é sensacional! A Becky se mete em tantas trapalhadas – mais no livro do que no filme – que é quase impossível não ter pena dela. O melhor da coisa toda é que ela não se mete em enrascadas só por conta do consumismo, mas também por sua própria personalidade, detalhe que torna tudo mais engraçado. Eu gostei muito da confecção dessas cenas em especial e ri até não poder mais, favoritando a protagonista no meu coração.

Com todas essas considerações, acho que vocês já podem chegar a minha conclusão: super recomendo o filme. Não sou uma crítica especialista (por enquanto, só comento aqui sobre os filmes que gostei), já que o meu lance mesmo é com os livros, mas acredito que tenha dado a vocês uma noção legal do que podem esperar de Os Delírios de Consumo de Becky Bloom na telinha. Favorito para todas as tardes de sol e chuva, não percam a oportunidade de assistir, nem que seja pelo Netflix.


16/01/2014

[Pipoca Encantada] A Menina que Roubava Livros



Considerada como uma das adaptações mais esperadas de 2014, A Menina que Roubava Livros deixou muitos leitores curiosos. Conhecido por gerar muito impacto entre críticos e leitores assíduos, o livro foi capaz de arrebatar muita gente envolvida no meio literário. Tanto amor e favoritismo em relação à obra gerou muita aflição e expectativa quanto a sua chegada nas telonas: será que o filme deixaria a desejar? Os atores escalados exerceriam seus papéis com eficiência? Espectadores se emocionariam na sala de cinema tanto quanto durante a leitura do livro?

Mesmo não tendo lido a obra original – o que para mim é comum, quando se trata de assistir adaptações – entrei na sala acompanhada da Camille, a quem agradeço muito pelo convite e sob patrocínio da Editora Intrínseca, com tantas expectativas quanto seus leitores, curiosa por não saber muito sobre a trama e ao mesmo tempo aflita por já ter ideia de que seria algo muito emocionante.

A história já começa com uma cena de dar dó, na Alemanha nazista, quando a caminho de ser recebida por uma nova família, Liesel (Sophie Nélisse) perde o irmão. Durante o enterro do mesmo, ela observa enquanto o coveiro derruba um livro do bolso e o apanha sem pensar duas vezes. A seguir, ela o guarda com carinho, tendo nele a lembrança de seu irmão e sua mãe, que por ser comunista, provavelmente foi pega por Hitler.

Ao ser recebida pela família, se depara com "um homem com o coração de acordeão" e uma "mulher trovão". Apesar de no começo, sua adaptação ser um tanto quanto difícil, é visível a afinidade que a menina conquista com o pai adotivo, Hans Hubermann (Geoffrey Rush), o qual começa a lhe alfabetizar no porão da casa e fazer de tudo para que Liesel seja amada e bem recebida em seu novo lar.



Durante o longa, podemos acompanhar toda a frieza e clima da guerra mundial entre os alemãos. Discursos são feitos, cantigas com ideais absurdos são entoadas por crianças de doze anos de idade, livros são queimados (ai, que dor no coração), revistas são realizadas para evitar que judeus e fugitivos escapem das garras do Fürher e a agressão rola solta em quem tentar impedir.

É nessa atmosfera de constantes perdas, temores e sofrimento, que Liesel conhece Rudy (Nico Liersch), um garotinho muito simpático que logo de início demonstra sinais de afeição pela personagem. Entre brincadeiras e apostas de corrida, o casalzinho desenvolve uma amizade segura pela confiança, lealdade e todo o prazer que só os melhores amigos encontram juntos.

Vale pontuar que essas crianças atuam muito bem! Sophie Nélisse soube expressar emoção quando necessário e suportar toda a carga emocional da personagem, tocando o espectador nos momentos de ápice do filme e criando uma imagem inesquecível da pequena Liesel. Já Nico Liersch preencheu seu papel com toda a ingenuidade, esperteza e vontade de viver de uma criança, ainda que vivendo em tempos de guerra, nos quais tinha suas opiniões oprimidas pelo rigoroso regime da época.



E se você pensa que o título foi atribuído apenas pelo pequeno furto cometido por Liesel no começo da história, está enganadíssimo! Com o desenrolar do filme, a menina acaba se afeiçoando mais à seus pais adotivos e compreendendo melhor o temperamento forte de sua mãe, Rosa (Emily Watson), descrita por ela como a "mulher trovão".

E é com muita aflição que em um dia qualquer, a tal mulher trovão e seu marido resolvem acolher um judeu com quem Hans tem uma dívida de vida. Seu nome é Max (Ben Schnetzer) e aos poucos, ele se revela como um jovem muito cativante, que desperta a amizade e carinho da tão querida Liesel, que agora já sabe ler e tem uma curiosidade enorme a respeito das palavras e livros que encontra por aí.

Mas como nem tudo são flores, muito menos no universo de A Menina que Roubava Livros, Max, por estar vivendo em condições precárias como fugitivo, acaba adoecendo, causando preocupação grandiosa entre os membros da pobre família. Isso faz com que Liesel passe a roubar mais livros, dessa vez da primeira dama (Barbara Auer), moça que abre as portas de sua biblioteca particular para ela. Por que ela os rouba? Simplesmente para poder ler em voz alta para Max, com o simples objetivo de que ele melhore da doença e cale sua aflição.



Acho que já contei muito sobre a trama do filme, se soltar mais os dedos vou acabar contando spoilers. Concluo essa crítica dizendo que vale a pena sim! Esse é um longa metragem pra lá de emocionante, dotado de um elenco cativante e que sabe o que faz, encarnando seus papéis com muita veracidade e espontaneidade.

É sofrível, Nath? Sim, demais! Perdi as contas de quantas vezes chorei na sala de cinema. As cenas de clímax foram muito bem executadas, então podem preparar os lencinhos e toalhinhas para enxugar as lágrimas, pois serão muitas. Mas além de emocionante, esse é um filme que vai te cativar por inteiro. Se você for leitor mesmo, vai se identificar com a curiosidade de Liesel perante a leitura e se emocionar com a mensagem sobre família e superação que não foi deixada para trás. Super recomendo!