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18/01/2014

O que considerar antes de entrar para a blogosfera.



Hoje em dia, o que mais vemos são blogs em formação. Se antes as bookaholics interneteiras se desesperavam em busca de público e leitores com quem compartilhar opinião, atualmente essa aflição se abrandou consideravelmente, com a chegada de vários montinhos de pessoas ansiosas para contar para o mundo suas experiências, sendo elas literárias ou não.

Como não é raro eu receber perguntas de amigos — ou até mesmo leitores, a respeito de como se iniciar um blog, resolvi escrever esse post com algumas considerações que devem ser feitas antes que você se jogue na internet e exponha a sua opinião, bem como a sua imagem. Não sou nenhuma expert no assunto, mas acho que dois anos de experiência servem pra alguma coisa, né? Então se você está pensando em iniciar um blog sobre qualquer assunto, seria legal continuar a ler.

1. Você quer mesmo blogar?


Como relatei no post anterior, blogar é muito bom, mas também exige muita disposição do blogueiro em questão. Vale muito a pena parar um pouco e pensar se é isso mesmo que você quer, pois a experiência pode acabar te desapontando. Não quero colocar ninguém pra baixo, mas é um fato: passo muitas horas me dedicando ao blog, ainda que seja só pra verificar o e-mail ou responder alguns comentários aqui e ali. Criar conteúdo, editar posts, revisar, se ligar nas notícias, conferir as visualizações e divulgar, tudo isso dá muito trabalho e exige não só tempo, como disponibilidade de quem está atrás da telinha.

Mas não é só isso também não! Tem que ter muita força de vontade para não deixar o blog às moscas e aguentar suas fases. Se você quer mesmo ter o seu próprio espaço e ser bem recebido, tem que estar bem preparado para críticas, leitores em falta, spam e até mesmo alguns haters.

2. Você entende de html?


Agora que você já decidiu que quer mesmo entrar para o clube dos blogueiros, vem a próxima pergunta: você entende de html? Se não tem ideia do que quer que seja isso, vá logo pesquisar, pois você vai precisar entender pelo menos o básico da codificação para conseguir se virar e manter seu blog. Outra coisa legal é aprender a se organizar com os códigos, porque ninguém gosta de acessar blogs com posts desorganizados e sem pé nem cabeça né, gente? Muito menos aqueles que exibem uma sobrecarga enorme de arquivos visuais e cores que cegam até a alma.

Se não tem ideia de por onde começar, te indico o Kawaii World, que apesar de ser de uma amiga minha de longa data (não é puxa-saquismo, juro!), é super completo e vai tirar todas as suas dúvidas sobre html, css, photoshop e o que quer que seja.

3. Você escreve bem?


Essa é uma consideração muito importante a se fazer antes de começar a blogar. Já li posts de muitos blogs por aí contendo erros gramaticais absurdos, do tipo que a gente aprende a corrigir na quarta série. Vou falar pra você, ninguém gosta de ler um blog cheio de erros de português, por mais bobos que sejam. A pessoa pode ter viajado a Europa inteira e se comunicado com todos os gringos de maneira fluente, não interessa, o que importa aqui e agora na blogosfera é o português e como você o usa para se expressar.

Se anda inseguro com o que escreve e posta, faça do dicionário e de revisores de confiança os seus melhores amigos. Não é vergonha pra ninguém querer aprender e você ainda vai ser bem visto por estar se esforçando para trazer conteúdo de qualidade aos seus leitores.

4. Só fale sobre o que gosta e entende.


Como muitas outras blogueiras, antes de criar o meu blog definitivo, afundei com muitos outros. Mas sabem qual era o verdadeiro problema, no final das contas? Eu não sabia quase nada sobre o que queria falar! É muito importante ter uma ideia vasta a respeito do assunto que você quer abordar no seu blog, já que não vai ser um mês de postagens que vai te manter no ar. O limite é inexistente e muita criatividade e vontade de escrever é necessária no processo, então se prepare para revirar seu assunto preferido de cabeça para baixo, pois você vai ter muito a falar sobre ele.

5. Não se limite, o blog é seu!


Tem muita gente que curte seguir padrões e se restringir à chamada concorrência. Acho isso um dos maiores erros que um blogueiro pode cometer! Como eu cheguei a essa conclusão? Avaliando a mim mesma. Já fui de ficar fuxicando o que era tendência para repetí-la, mas um tempo depois, aprendi que só se destaca (oh!) quem é original. Queridos, levem essa frase a sério! Ninguém quer saber de conteúdo repetido, pra que visitar um blog se ele for igual a tantos outros? A solução é se jogar de cabeça dentro dele, deixar sua personalidade cravada no seu espaço para que todo mundo a identifique assim que entrar.

Não crie regras para si mesmo, apenas escreva sobre o que gosta, entende e deixe implícito que você comanda o teclado em cada linha que escreve. Todo leitor adora se aproximar de um blogueiro que admira, então faça com que esse blogueiro seja você!

6. Não compensa investir agora.


Quer começar com o pé direito e gastar dinheiro em domínio, contratação de uma designer, camisetas, marcadores e banners? Então para, que você está fazendo tudo errado! É muito arriscado começar a investir agora que o seu cantinho ainda nem está construído. Vai que daqui a uma duas semanas, bate uma vontade de desistir e você joga tudo pro alto? Vai acabar saindo no prejuízo! A gente pensa que não vai desistir e vai continuar firme e forte, mas às vezes a vontade vem como uma avalanche e você não abre o editor por nada nesse mundo. Acredite, isso já aconteceu comigo mais de três vezes antes de eu começar a blogar pra valer. Se existe a etapa do início, pra que pular logo pro meio? Aproveite cada fase do seu blog e comece do básico mesmo. Se der certo, você pode evoluir à vontade que ninguém vai fazer piadinha de pokémon (como eu acabei de fazer, oi).

7. Faça por você, não pelas parcerias.


Esse tópico é muito discutido em vários posts de dicas para blogueiros iniciantes e eu vou revisitá-lo aqui. As parcerias costumam demorar a aparecer e não vão ser elas que vão te sustentar naquele dia em que nada está dando certo e você não tem vontade nenhuma de sentar na cadeira para escrever. Pelo contrário, as parcerias só dificultam ainda mais o trabalho, pois representam um ato de compromisso, mão dupla e confiança. Às vezes, é difícil olhar para a estante e não sentir uma culpa enorme ao ver tantos livros de parceria não lidos. Eu faço o possível, mas leitura exige tempo e gosto, não adianta tentar tornar um hábito prazeroso em uma obrigação apenas para satisfazer alguém.

É importantíssimo lembrar que dependendo do seu trabalho, as parcerias vão te ajudar ou te atrapalhar, então não perca seu tempo blogando apenas por parcerias e regalias, nunca dá certo. Faça isso por você, pelo seu amor ao que faz e fome de compartilhar o que gosta. É isso que vai te levar para frente quando a vontade de desistir apitar.

8. Seja disponível.


Algum leitor te contatou, mandou e-mail ou deixou uma dúvida por comentário? Não hesite ao responder. É muito importante estar sempre disponível tanto para os leitores, quanto para eventos que possam surgir, seja como convidado ou parte do público. O que, você estava achando que blogar se restringe a ficar em casa digitando? Nananinanão! Vários eventos estão por aí prontos para receber blogueiras de diversos públicos. Alguns deles são organizados pela mídia ou até mesmo por outros blogueiros, que gostam de se encontrar e trocar figurinhas. Esteja pronto para apresentar seu blog e não ter vergonha de quem encontrar por lá, ser simpático e receptivo é fundamental.

9. Esteja livre para atualizar sempre que puder.


Tenha certeza de que você sempre vai poder estar atualizando o seu blog. Leitor ativo curte muito entrar na página e poder ler posts novos! É muito chato acompanhar um blog legal e não receber atualizações do mesmo por muito tempo. Eu sempre atualizo o meu quando dá (e quando a preguiça não bate), mas é legal atualizar todo dia e quando tiver chance, reserve algumas horinhas para abrir seu editor e deslizar os dedos de uma tecla a outra, para escrever algo que sacie seu público. Vale programar postagens e deixar rascunhos em aberto, para escrever quando tiver vontade.

E aí, foi?


Bom, gente, acho que é isso! Se você ainda tem dúvidas sobre o que fazer antes de entrar para a blogosfera, deixe nos comentários para que eu possa dar um update básico no post, mas acho que por alto é isso aí. Se tiver alguma questão que queira resolver comigo no privado, estou quase sempre online no Facebook, basta me chamar via inbox.

Desejo toda a boa sorte e sucesso àqueles que depois de todos esses tópicos, resolveram seguir em frente e começar um espaço próprio por aqui, sejam todos bem vindos!


17/01/2014

Por que blogar?



É muito engraçado pensar que tudo começou com uma palavra que mesmo sendo traduzida, não tem o mesmo sentido que o original. Acho que vocês já devem ter adivinhado que estou falando da tal saudade. Mas por incrível que pareça, esse sentimento todo não tem nada a ver com os livros, dessa vez. Eu sei que você tá curioso, então vou esclarecer a situação sem mais rodeios.

Muitos já devem saber que sou bailarina, certo? Pois é, acontece que mesmo sendo extremamente dedicadas e perfeccionistas, abençoando cada momento que temos em sala de aula e nos palcos, nós também temos férias. E nessas férias em especial, eu estava morrendo de saudade da minha segunda família e estava sendo terrivelmente difícil aguentar o tranco até fevereiro ou março, quando eu voltaria para a barra.

Parece bobo? Sei lá. Para mim nunca vai parecer, mas foi procurando uma distração que eu tive a ideia de começar um blog que me ocupasse o bastante para tirar o ballet e meus amigos da cabeça. Como vocês já podem ver, funcionou bem até demais, uma vez que enquanto o blog seguiu em frente, eu tive que parar com minhas tão amadas aulas de dança, já que a escola apertou muito e para conseguir alcançar objetivos maiores, uma das coisas teria que ficar para trás. E bom, eu escolhi seguir com a vida acadêmica.

Só que não é pra contar historinha de como o blog surgiu que eu estou escrevendo esse texto para vocês. Minhas palavras querem esclarecer uma pergunta que muitos me fazem, pelo menos uma vez a cada mês: por que blogar? Qual o prazer de ficar na frente do computador praticamente o dia inteiro ao invés de ir pras baladinhas da vida e encher a cara? Por que a maioria dos seus snaps tem livros no meio e você vive falando do seu blog no twitter? Nunca pensou em preencher o feed do seu facebook com outra coisa que não livros? O que leva uma pessoa a fazer um ensaio fotográfico com livros? Na real, por que você lê tanto?

Então tá, vamos lá. Muita calma nessa hora, porque ninguém quer que um post que tem a intenção de ser mais ou menos bonitinho, acabe virando bagunça. Eu não sou mãe mas curto uma ordem básica (pelo menos no meu blog), né? A maioria dessas respostas já foi respondida aqui, então segura a língua aí e aproveita para ler o outro post que eu vou responder todo o resto aos apressadinhos de plantão.

Primeiramente, é fato: todo mundo sabe que blogar não é brincadeira. Ter que ouvir "não"s com mais frequência do que respostas positivas, seguir uma certa etiqueta pra não cair na lábia de blogueiras shames da vida, aturar gente que nem acompanha spameando o mural do blog, passar por um aperto enquanto não tem um layout decente, viver a paranoia constante com tudo o que envolve o blog, desejar ter mais leitores do que tem... Enfim, vários outros fatores que fazem o blogueiro ter vontade de desistir a cada dia que passa.



Cara, eu não sei se acontece isso com vocês, blogueiros que também são leitores do blog, mas quando eu olho para as minhas conquistas e pra tudo o que já deu certo com o Páginas Encantadas, a última coisa que me vem à cabeça é desistir. E não é só pelo material não, viu? Eu me tornei uma pessoa melhor com o meu blog. Fiz amigos incríveis que acrescentaram muito ao meu jeito de ser, além de ter adquirido muito mais conhecimento do que já tinha através da leitura.

Tudo bem que faz parte abrir mão de certas coisas. Muita gente não tem uma boa imagem de mim na escola por eu ser, basicamente, a "garota dos livros". E quem disse que eu ligo pra isso? Vou ter a vida toda à minha disposição para participar de festinhas, mas não terei tempo o suficiente para ler todos os livros que eu quero, além de gostar muito do que faço para me importar com a opinião alheia. E quando riem de mim por possuir um blog, só consigo pensar no quanto amo ter esse espacinho só meu, onde posso mostrar ao mundo o meu amor pelos livros e pelo que gosto.

Continuo a blogar porque amo escrever, ato que faz parte de mim, está incrustado na minha alma desde que aprendi a lidar com as palavras. Sou apaixonada por esse desafio que é conquistar leitores por meio do conteúdo e identidade visual da página, ganhar o coração do meu público por meio das palavras e fazê-lo me acompanhar. Não vou ser hipócrita e dizer que não continuo a blogar também pelo prestígio que os parceiros oferecem (até porque, seria uma mentira e tanto), mas esse é apenas um dos motivos. Um entre vários outros.

Adoro a sensação de ser valorizada quando conheço um blogueiro novo em algum evento e ele vem e diz aquela frase tão gostosa de se ouvir: "já conheço o seu blog". É mais legal ainda quando a pessoa te chama por já ter ouvido falar de você em algum canto da vasta internet e querer ouvir o seu "olá" fora da telinha. Cada like e follow novo, então? Já sinto um friozinho na barriga, de ver o quanto o blog está crescendo.

Mas acima de tudo, continuo a blogar pelas opiniões. Pelo público que conquistei e não abro mão. Ainda que de vez em quando seja muito cansativo retribuir comentários, gosto muito do feedback que recebo em cada post escrito com muito carinho e atenção. É como dar um chocolate gostoso em um amigo oculto e receber outro igualmente bom em troca, ao invés de um chocolatinho parafinado.

Nesses dois anos, sou muito feliz por ter construído tudo isso aqui. Acabou que de pouquinho em pouquinho, essa página se fundiu a mim e, mesmo que eu não chegue a terminar de escrever um livro, já tenho consciência de que pelo menos o Páginas Encantadas eu vou ter deixado para trás. Acima de tudo, sou blogueira por amor e paixão ao que faço; por sede de conhecimento e compartilhamento de informações. E espero poder continuar com o blog por muito mais tempo.


17/10/2013

Padrões



O que é certo ou errado na blogosfera? Existe algum tipo de lei ou constituição com tudo o que se deve ou pode fazer em um blog literário? Bem, eu não sei.

Nunca fui uma pessoa de seguir padrões. Já sofri muito na escola por virar para coleguinhas influentes e transformar seus sorrisos debochados em uma careta pela simples pronúncia de um "não". Não sou dessas garotas que curte avidamente uma night e beijar muitas bocas. De acordo com esse padrão, sou um tanto refreada. Essa minha característica de não querer ser influenciada pelo que dizem que deve ser feito me deu um trabalhão para ser desenvolvida e devidamente mantida, porque as pessoas simplesmente não aceitam isso com facilidade.

Recentemente, venho lendo posts no facebook, tweets e textos em blogs de blogueiras - não mencionarei nomes - aparentemente criticando o que se deve ou não fazer em um blog. Pera aí, então como blogueira, eu preciso seguir algum tipo de regra na hora de escolher o que eu vou postar para os meus leitores? Acho que não. Passei tanto tempo insistindo em ser diferente, em seguir as minhas regras pra uma pessoa chegar do nada e dizer que o meu blog só pode ter resenhas, lançamentos de livros e coberturas de eventos por ser literário? Não acho que seja assim que a coisa funcione.

Vou me abrir com vocês: não é todo dia que eu acordo com vontade de resenhar algum livro que eu li, os lançamentos que as editoras me mandam nem sempre me parecem interessantes o suficiente pra divulgar pra vocês e não compareço a eventos aqui no Rio o bastante para garantir coberturas semanais aqui no blog. Eu faço o que eu posso, na medida do possível e de acordo com a minha vontade.

Não criei o blog para ser uma obrigação, algo que me atrapalhasse nos estudos e exigisse demais de mim. Estou cansada de limitar o meu blog apenas a livros (não me entendam mal, sou apaixonada por eles) porque as pessoas acham que é o que eu tenho que fazer. Já repararam o quanto eu usei "as pessoas acham", "fulaninho disse", "não sei quem postou", só nessa postagem? Pois é, acontece que eu não gosto de seguir o que a sociedade acha que é certo ou errado. Eu sempre me considerei dona das minhas regras.

Páginas Encantadas nasceu com o objetivo de ser um blog no qual eu pudesse me expressar, mostrar as minhas paixões, expôr o que eu amo fazer. Eu amo ler, mas - bem que eu queria! - não devoro livros 24 horas por dia, 7 vezes na semana. Já falei de tantas páginas aqui, na maioria das vezes, páginas literárias. E as páginas da minha vida, como ficam?

Não quero mais saber de me conter aqui no blog. Cada dia vou postar algo diferente, trazer mais diversidade pra vocês. Fala sério, é muito chato (pelo menos ao meu ver) entrar em um blog e só ver resenha, resenha, release, resenha, release, publicidade. É claro que os livros vão continuar sendo o foco desse espaço, mas eu espero poder colocar mais cores nessa tela, se é que vocês me entendem.