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08/11/2013

Bela ou Fera?



Por andar muito com meninos, é natural que o assunto "garotas" seja bem presente no meu dia-a-dia, mais especificamente, seus aspectos físicos. Claro que os termos que definem seus alvos são muito diferentes dos que eu usaria, uma vez que não é muito difícil de se escutar um "gostosa", "dada" ou então, em alguns casos, palavrinhas mais pesadas oriundas do famoso vocabulário moleque, usado no auxílio para definir o corpo, mentalidade ou atitudes de uma garota.

Entretanto, uma coisa que me intriga bastante é que quase sempre a minha opinião é muito diferente da deles. É claro que, pela convivência, eu sei definir que atributos uma garota precisa ter para ser classificada como "gostosa". Na maioria das vezes, essas meninas são aquelas donas de seios fartos, pernas grossas e uma retaguarda um tanto avantajada.

A questão é: enquanto eles praticamente se ajoelham aos pés desses tipos de garota, que em sua maioria, possuem o cérebro tão vazio quanto uma rua interditada, eu apenas torço o nariz. E, querido leitor do sexo masculino, eu não estou de "recalque", como você provavelmente pensou. O ponto é que eu penso diferente desses rapazes e de algumas moças que compõe a nossa sociedade.

Ultimamente, as meninas consideradas bonitas, além de ao mesmo tempo serem denominadas como "gostosas", como eu citei acima, são dotadas de características como cabelos lisos e geralmente longos, narizes finos e lábios rosados. O olho claro passou a ser opcional, mas me parece que as que possuem esse tal dote, ganham um bônus especial de beleza, dependendo do enquadramento de tal extra no rosto.

Como vocês podem observar, nossos rapazes são extramente críticos, por várias vezes, passando dias inteiros sob os cuidados de analisar as garotas ao redor do mundo. Mas será que tudo isso define a beleza de uma jovem? Queridos leitores, eu fico indignada quando qualquer um dos meus amigos denomina "bonita" uma garota que não possui um bom caráter. Afinal, de que adianta ter um corpo lindo e a arcada dentária certinha, se o cérebro é tão vago quanto vagão de trem indo pra garagem? Pessoalmente, não consigo achar bonita uma garota que faz fofoca, age com injustiça e se joga na primeira intriga que souber.

É por valorizar a personalidade e outros aspectos do ser humano, como a inteligência e o caráter, que quando se trata de beleza, o meu olho crítico transpassa o físico. Considero bonitas aquelas meninas que trazem consigo o brilho no olhar, o riso implícito nos lábios e o gosto de viver nas bochechas coradas. Aquelas que exibem as covinhas então, que bônus poderoso! Sou muito fã.

Também admiro muito a maneira como algumas de minhas colegas conseguem ser introspectivas, apenas preocupadas em folhear algum livro ou repassar para si mesma algum exercício dado em aula. Adoro gente que fala sozinha, divaga enquanto parado e sente o vento passar balançando os cabelos com gosto. Por que não caracterizar como "gostosa", a gargalhada de uma mulher? Por que não "dada", aquela menina que se joga para a vida, que tem o prazer de curtir cada momento e viver experiências novas?

Qual o problema da sociedade de hoje em dia, que costuma valorizar as meninas de cabeça vazia? Claro que não estou dizendo que todas as meninas que se encaixam nas características que os meninos supervalorizam façam parte desse perfil, existem exceções. Acredito que os humanos à minha volta perdem muito desprezando a sua capacidade de observar, perceber pequenas revelações que acontecem à sua volta. Se olharem melhor, vão tomar consciência de que o que tanto desvalorizam, pode ser o mais precioso dos tesouros.

Pense bem, pois a menina que você classifica como Fera, pode ser a Bela dos seus sonhos e estar a dois dedos do seu nariz. Mas você nunca a verá dessa maneira, por causa do rótulo que você mesmo impôs.


17/10/2013

Padrões



O que é certo ou errado na blogosfera? Existe algum tipo de lei ou constituição com tudo o que se deve ou pode fazer em um blog literário? Bem, eu não sei.

Nunca fui uma pessoa de seguir padrões. Já sofri muito na escola por virar para coleguinhas influentes e transformar seus sorrisos debochados em uma careta pela simples pronúncia de um "não". Não sou dessas garotas que curte avidamente uma night e beijar muitas bocas. De acordo com esse padrão, sou um tanto refreada. Essa minha característica de não querer ser influenciada pelo que dizem que deve ser feito me deu um trabalhão para ser desenvolvida e devidamente mantida, porque as pessoas simplesmente não aceitam isso com facilidade.

Recentemente, venho lendo posts no facebook, tweets e textos em blogs de blogueiras - não mencionarei nomes - aparentemente criticando o que se deve ou não fazer em um blog. Pera aí, então como blogueira, eu preciso seguir algum tipo de regra na hora de escolher o que eu vou postar para os meus leitores? Acho que não. Passei tanto tempo insistindo em ser diferente, em seguir as minhas regras pra uma pessoa chegar do nada e dizer que o meu blog só pode ter resenhas, lançamentos de livros e coberturas de eventos por ser literário? Não acho que seja assim que a coisa funcione.

Vou me abrir com vocês: não é todo dia que eu acordo com vontade de resenhar algum livro que eu li, os lançamentos que as editoras me mandam nem sempre me parecem interessantes o suficiente pra divulgar pra vocês e não compareço a eventos aqui no Rio o bastante para garantir coberturas semanais aqui no blog. Eu faço o que eu posso, na medida do possível e de acordo com a minha vontade.

Não criei o blog para ser uma obrigação, algo que me atrapalhasse nos estudos e exigisse demais de mim. Estou cansada de limitar o meu blog apenas a livros (não me entendam mal, sou apaixonada por eles) porque as pessoas acham que é o que eu tenho que fazer. Já repararam o quanto eu usei "as pessoas acham", "fulaninho disse", "não sei quem postou", só nessa postagem? Pois é, acontece que eu não gosto de seguir o que a sociedade acha que é certo ou errado. Eu sempre me considerei dona das minhas regras.

Páginas Encantadas nasceu com o objetivo de ser um blog no qual eu pudesse me expressar, mostrar as minhas paixões, expôr o que eu amo fazer. Eu amo ler, mas - bem que eu queria! - não devoro livros 24 horas por dia, 7 vezes na semana. Já falei de tantas páginas aqui, na maioria das vezes, páginas literárias. E as páginas da minha vida, como ficam?

Não quero mais saber de me conter aqui no blog. Cada dia vou postar algo diferente, trazer mais diversidade pra vocês. Fala sério, é muito chato (pelo menos ao meu ver) entrar em um blog e só ver resenha, resenha, release, resenha, release, publicidade. É claro que os livros vão continuar sendo o foco desse espaço, mas eu espero poder colocar mais cores nessa tela, se é que vocês me entendem.