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25/03/2014

Quer organizar sua estante? Vem que eu te ajudo!



Finalmente, você comprou sua estante! Adeus pilhas de livros por todo lugar, amassadinhos inconvenientes e pais reclamando sobre sua bagunça e falta de espaço literária. Ufa, adeus reclamações e dores de cabeça. Mas pera... E agora, por onde começar? Você só enxerga pilhas e pilhas de livro por todo o quarto e não tem ideia de como encaixá-los em ordem coerente? Então calma, não precisa se desesperar. Eu já passei por essa situação e vou contar tudinho sobre isso nesse post, te mostrando como organizar seus livros de acordo com o seu gosto.

1. Ordem Alfabética - se você é uma daquelas pessoas organizadíssimas e que não gosta de sair do padrão estimado, a organização por ordem alfabética é uma boa. Para facilitar as coisas, você pode escolher se quer organizar seus livros por autor, título ou editora (aconselho que seja por editora), et voilá, é só começar a arrumar.

2. Por autor - pode ser dentro da opção acima ou fora, se você preferir. É só pegar cada livro dos autores que você tem em sua estante e ir juntando em pilhas, para depois decidir quem vai se encaixar onde. Eu não recomendo esse método, pois existem vários autores por aí e a cada dia surgem mais, mas quem decide isso é você.

3. Por editora - quase a mesma coisa que eu disse acima, só que mais prático. Pode ser por ordem alfabética, ou não. É o método que eu uso, por achar mais bonitinho e eficaz. Ficou em dúvida sobre o que eu quis dizer com o "bonitinho"? Fácil, pense em vários livros juntos, com o mesmo símbolo na lombada. Dá até orgulho de admirar! É o método mais prático para quem planeja ter uma biblioteca ou colecionar muitos livros, pois na hora de ler, é só lembrar por qual editora o livro foi publicado.

4. Por gênero - esse era o método que minha mãe queria que eu seguisse, mas achei muito difícil. Sabe por que? Existem muitos gêneros e subgêneros, por exemplo: romance, pode virar romance histórico, chick-lit, YA contemporâneo, new adult... Todos eles contém romance na maioria das vezes, mas não são categorizados apenas como romance. É mais prático para quem tem menos livros e não tem o hábito de comprar tantos, mas para mim não rola.



5. Por ano de publicação - acho esse método muito absurdo, mas acredite ou não, há quem siga. Vai ser mais trabalhoso olhar dentro do livro e procurar pelo ano em que o mesmo foi publicado, mas você pode fazer isso! Se quiser, uma dica válida é colocar etiquetas na barra da prateleira, para que tudo fique mais organizado. Quem sabe até organizar cada ano por ordem alfabética... Vai da sua criatividade!

6. Pela cor da lombada - admiro quem tem coragem de usar esse método, pois eu sou muito enrolada para tentar. O resultado é a sua estante transformada em um grande arco-íris, mas para chegar a ele, você terá que ter muito esforço e dedicação. Basta abrir um grande arco-íris no computador e se guiar por ele, organizando pilhas segundo as cores das lombadas de seus livros. Se você gostar muito de exibir sua estante, vai ficar bem satisfeito, mas terá que separar sagas e coleções umas das outras.

7. Pelo tamanho da lombada - nunca tentei essa maneira na minha estante, mas manualmente falando, deve ser bem complicado medir cada livro de cada vez. É legal para exterminar toda e qualquer paranoia de quem é louco por organização visual, mas como faço parte do clube dos preguiçosos de plantão, isso me daria muita dor de cabeça.

8. Por favoritismo - novamente, outro método que ainda não testei, mas já vi muita gente que o utiliza sorrindo. Se você preferir, pode pegar os livros que mais gosta e isolá-los em uma determinada prateleira da sua estante, fazendo um degradê entre os livros que mais gosta, até os que não curtiu tanto assim. Para quem costuma misturar os livros não-lidos com os lidos, é uma dica deixar os não-lidos na última prateleira da estante.


Espero que tenham curtido as dicas! Não sou exatamente uma profissional em organização, mas como resolvi pelo menos o meu problema, espero que tenha conseguido ajudar vocês também. Qualquer dúvida, questão a acrescentar ou dica que queira repassar para o post, sinta-se livre para deixar nos comentários!

Até mais!


02/03/2014

País das Maravilhas



Eu corro atrás do coelho branco, como se ele representasse cada conquista que pode se tornar realidade. Escalo árvores, vejo as coisas se virando de cabeça para baixo e do mesmo jeito que se bagunçaram, colocando-se em seus devidos lugares. Avisto uma ponte, mas não sei se é seguro o bastante atravessá-la. Minhas decisões me confundem e, por fim, acabo caindo em um abismo.

A cada minuto que se passa, observo a escuridão ao meu redor. Já não sei mais onde estou, o motivo da queda e o porquê de ela parecer não ter fim. É angustiante o quanto me cobro estar firme novamente, no chão. A gravidade simplesmente não me obedece e continuo girando e girando no ar, sem rumo definido.

É quando, finalmente, caio. A queda me deixa dolorida e enche meus olhos de lágrimas, o ar me fugindo dos pulmões. Quase sem forças, tateio pelo chão em busca de um pontinho de luz que se vê ao longe. A passagem é estreita, mas acabou visualizando algo que espalha um arrepio pela minha espinha: um rabinho branco e felpudo.

Subitamente, me recupero e rastejo em busca do animalzinho ligeiro. Pedaços de raízes que eu nem tinha notado se enroscam em meus pés e me puxam para trás, tentando fazer-me desistir. Determinada demais para parar, arranho-as com as unhas recém-pintadas até que desfaçam os nós em torno de meus tornozelos, dando continuidade a minha busca. Franzo as sobrancelhas e só penso em continuar... Correndo.

Espinhos arranham o que resta do meu rostinho bonito, agora cheio de terra e parcialmente ferido. Entre um tropeço e outro, tento alcançar o rabinho do coelho e por pouco não consigo, tendo o bichinho entrado por uma portinha dourada. Percebendo que perdi a melhor das chances, me deixo cair no chão e desato a chorar, cobrindo as mãos ante o vazio do lugar.

Injuriada, deixo um grito gutural escapar por meus lábios e esmurro a minúscula porta. Não sou Alice. Não tenho a droga de um líquido que me faça diminuir assim que eu terminar de bebê-lo. Eu tentei. Tentei! E não consegui. Por que? In(justiça)? E agora, serei castigada por uma rainha de copas ou absolvida por algum rei metido a besta? Pior de tudo, haverá a chance de milhões de gatos risonhos rirem da minha cara? Não, isso não!

O barulho de meus questionamentos é tão alto que o coelhinho resolve sair pela portinha e verificar o que está acontecendo. Bichinhos inconvenientes, eles, só aparecem quando querem. Num átimo, fico em silêncio e observo seu par de olhos vermelhos piscando freneticamente em minha direção, um passo em falso e eu corro o risco de perder a batalha. Então, ele dá um salto e pula em meu pescoço, enterrando seus dentes em minha pele macia. Nada me resta, senão a eterna escuridão.


Fotografia por: Ricardo Veloso
Texto por: Natalia Leal


18/01/2014

O que considerar antes de entrar para a blogosfera.



Hoje em dia, o que mais vemos são blogs em formação. Se antes as bookaholics interneteiras se desesperavam em busca de público e leitores com quem compartilhar opinião, atualmente essa aflição se abrandou consideravelmente, com a chegada de vários montinhos de pessoas ansiosas para contar para o mundo suas experiências, sendo elas literárias ou não.

Como não é raro eu receber perguntas de amigos — ou até mesmo leitores, a respeito de como se iniciar um blog, resolvi escrever esse post com algumas considerações que devem ser feitas antes que você se jogue na internet e exponha a sua opinião, bem como a sua imagem. Não sou nenhuma expert no assunto, mas acho que dois anos de experiência servem pra alguma coisa, né? Então se você está pensando em iniciar um blog sobre qualquer assunto, seria legal continuar a ler.

1. Você quer mesmo blogar?


Como relatei no post anterior, blogar é muito bom, mas também exige muita disposição do blogueiro em questão. Vale muito a pena parar um pouco e pensar se é isso mesmo que você quer, pois a experiência pode acabar te desapontando. Não quero colocar ninguém pra baixo, mas é um fato: passo muitas horas me dedicando ao blog, ainda que seja só pra verificar o e-mail ou responder alguns comentários aqui e ali. Criar conteúdo, editar posts, revisar, se ligar nas notícias, conferir as visualizações e divulgar, tudo isso dá muito trabalho e exige não só tempo, como disponibilidade de quem está atrás da telinha.

Mas não é só isso também não! Tem que ter muita força de vontade para não deixar o blog às moscas e aguentar suas fases. Se você quer mesmo ter o seu próprio espaço e ser bem recebido, tem que estar bem preparado para críticas, leitores em falta, spam e até mesmo alguns haters.

2. Você entende de html?


Agora que você já decidiu que quer mesmo entrar para o clube dos blogueiros, vem a próxima pergunta: você entende de html? Se não tem ideia do que quer que seja isso, vá logo pesquisar, pois você vai precisar entender pelo menos o básico da codificação para conseguir se virar e manter seu blog. Outra coisa legal é aprender a se organizar com os códigos, porque ninguém gosta de acessar blogs com posts desorganizados e sem pé nem cabeça né, gente? Muito menos aqueles que exibem uma sobrecarga enorme de arquivos visuais e cores que cegam até a alma.

Se não tem ideia de por onde começar, te indico o Kawaii World, que apesar de ser de uma amiga minha de longa data (não é puxa-saquismo, juro!), é super completo e vai tirar todas as suas dúvidas sobre html, css, photoshop e o que quer que seja.

3. Você escreve bem?


Essa é uma consideração muito importante a se fazer antes de começar a blogar. Já li posts de muitos blogs por aí contendo erros gramaticais absurdos, do tipo que a gente aprende a corrigir na quarta série. Vou falar pra você, ninguém gosta de ler um blog cheio de erros de português, por mais bobos que sejam. A pessoa pode ter viajado a Europa inteira e se comunicado com todos os gringos de maneira fluente, não interessa, o que importa aqui e agora na blogosfera é o português e como você o usa para se expressar.

Se anda inseguro com o que escreve e posta, faça do dicionário e de revisores de confiança os seus melhores amigos. Não é vergonha pra ninguém querer aprender e você ainda vai ser bem visto por estar se esforçando para trazer conteúdo de qualidade aos seus leitores.

4. Só fale sobre o que gosta e entende.


Como muitas outras blogueiras, antes de criar o meu blog definitivo, afundei com muitos outros. Mas sabem qual era o verdadeiro problema, no final das contas? Eu não sabia quase nada sobre o que queria falar! É muito importante ter uma ideia vasta a respeito do assunto que você quer abordar no seu blog, já que não vai ser um mês de postagens que vai te manter no ar. O limite é inexistente e muita criatividade e vontade de escrever é necessária no processo, então se prepare para revirar seu assunto preferido de cabeça para baixo, pois você vai ter muito a falar sobre ele.

5. Não se limite, o blog é seu!


Tem muita gente que curte seguir padrões e se restringir à chamada concorrência. Acho isso um dos maiores erros que um blogueiro pode cometer! Como eu cheguei a essa conclusão? Avaliando a mim mesma. Já fui de ficar fuxicando o que era tendência para repetí-la, mas um tempo depois, aprendi que só se destaca (oh!) quem é original. Queridos, levem essa frase a sério! Ninguém quer saber de conteúdo repetido, pra que visitar um blog se ele for igual a tantos outros? A solução é se jogar de cabeça dentro dele, deixar sua personalidade cravada no seu espaço para que todo mundo a identifique assim que entrar.

Não crie regras para si mesmo, apenas escreva sobre o que gosta, entende e deixe implícito que você comanda o teclado em cada linha que escreve. Todo leitor adora se aproximar de um blogueiro que admira, então faça com que esse blogueiro seja você!

6. Não compensa investir agora.


Quer começar com o pé direito e gastar dinheiro em domínio, contratação de uma designer, camisetas, marcadores e banners? Então para, que você está fazendo tudo errado! É muito arriscado começar a investir agora que o seu cantinho ainda nem está construído. Vai que daqui a uma duas semanas, bate uma vontade de desistir e você joga tudo pro alto? Vai acabar saindo no prejuízo! A gente pensa que não vai desistir e vai continuar firme e forte, mas às vezes a vontade vem como uma avalanche e você não abre o editor por nada nesse mundo. Acredite, isso já aconteceu comigo mais de três vezes antes de eu começar a blogar pra valer. Se existe a etapa do início, pra que pular logo pro meio? Aproveite cada fase do seu blog e comece do básico mesmo. Se der certo, você pode evoluir à vontade que ninguém vai fazer piadinha de pokémon (como eu acabei de fazer, oi).

7. Faça por você, não pelas parcerias.


Esse tópico é muito discutido em vários posts de dicas para blogueiros iniciantes e eu vou revisitá-lo aqui. As parcerias costumam demorar a aparecer e não vão ser elas que vão te sustentar naquele dia em que nada está dando certo e você não tem vontade nenhuma de sentar na cadeira para escrever. Pelo contrário, as parcerias só dificultam ainda mais o trabalho, pois representam um ato de compromisso, mão dupla e confiança. Às vezes, é difícil olhar para a estante e não sentir uma culpa enorme ao ver tantos livros de parceria não lidos. Eu faço o possível, mas leitura exige tempo e gosto, não adianta tentar tornar um hábito prazeroso em uma obrigação apenas para satisfazer alguém.

É importantíssimo lembrar que dependendo do seu trabalho, as parcerias vão te ajudar ou te atrapalhar, então não perca seu tempo blogando apenas por parcerias e regalias, nunca dá certo. Faça isso por você, pelo seu amor ao que faz e fome de compartilhar o que gosta. É isso que vai te levar para frente quando a vontade de desistir apitar.

8. Seja disponível.


Algum leitor te contatou, mandou e-mail ou deixou uma dúvida por comentário? Não hesite ao responder. É muito importante estar sempre disponível tanto para os leitores, quanto para eventos que possam surgir, seja como convidado ou parte do público. O que, você estava achando que blogar se restringe a ficar em casa digitando? Nananinanão! Vários eventos estão por aí prontos para receber blogueiras de diversos públicos. Alguns deles são organizados pela mídia ou até mesmo por outros blogueiros, que gostam de se encontrar e trocar figurinhas. Esteja pronto para apresentar seu blog e não ter vergonha de quem encontrar por lá, ser simpático e receptivo é fundamental.

9. Esteja livre para atualizar sempre que puder.


Tenha certeza de que você sempre vai poder estar atualizando o seu blog. Leitor ativo curte muito entrar na página e poder ler posts novos! É muito chato acompanhar um blog legal e não receber atualizações do mesmo por muito tempo. Eu sempre atualizo o meu quando dá (e quando a preguiça não bate), mas é legal atualizar todo dia e quando tiver chance, reserve algumas horinhas para abrir seu editor e deslizar os dedos de uma tecla a outra, para escrever algo que sacie seu público. Vale programar postagens e deixar rascunhos em aberto, para escrever quando tiver vontade.

E aí, foi?


Bom, gente, acho que é isso! Se você ainda tem dúvidas sobre o que fazer antes de entrar para a blogosfera, deixe nos comentários para que eu possa dar um update básico no post, mas acho que por alto é isso aí. Se tiver alguma questão que queira resolver comigo no privado, estou quase sempre online no Facebook, basta me chamar via inbox.

Desejo toda a boa sorte e sucesso àqueles que depois de todos esses tópicos, resolveram seguir em frente e começar um espaço próprio por aqui, sejam todos bem vindos!


17/01/2014

Por que blogar?



É muito engraçado pensar que tudo começou com uma palavra que mesmo sendo traduzida, não tem o mesmo sentido que o original. Acho que vocês já devem ter adivinhado que estou falando da tal saudade. Mas por incrível que pareça, esse sentimento todo não tem nada a ver com os livros, dessa vez. Eu sei que você tá curioso, então vou esclarecer a situação sem mais rodeios.

Muitos já devem saber que sou bailarina, certo? Pois é, acontece que mesmo sendo extremamente dedicadas e perfeccionistas, abençoando cada momento que temos em sala de aula e nos palcos, nós também temos férias. E nessas férias em especial, eu estava morrendo de saudade da minha segunda família e estava sendo terrivelmente difícil aguentar o tranco até fevereiro ou março, quando eu voltaria para a barra.

Parece bobo? Sei lá. Para mim nunca vai parecer, mas foi procurando uma distração que eu tive a ideia de começar um blog que me ocupasse o bastante para tirar o ballet e meus amigos da cabeça. Como vocês já podem ver, funcionou bem até demais, uma vez que enquanto o blog seguiu em frente, eu tive que parar com minhas tão amadas aulas de dança, já que a escola apertou muito e para conseguir alcançar objetivos maiores, uma das coisas teria que ficar para trás. E bom, eu escolhi seguir com a vida acadêmica.

Só que não é pra contar historinha de como o blog surgiu que eu estou escrevendo esse texto para vocês. Minhas palavras querem esclarecer uma pergunta que muitos me fazem, pelo menos uma vez a cada mês: por que blogar? Qual o prazer de ficar na frente do computador praticamente o dia inteiro ao invés de ir pras baladinhas da vida e encher a cara? Por que a maioria dos seus snaps tem livros no meio e você vive falando do seu blog no twitter? Nunca pensou em preencher o feed do seu facebook com outra coisa que não livros? O que leva uma pessoa a fazer um ensaio fotográfico com livros? Na real, por que você lê tanto?

Então tá, vamos lá. Muita calma nessa hora, porque ninguém quer que um post que tem a intenção de ser mais ou menos bonitinho, acabe virando bagunça. Eu não sou mãe mas curto uma ordem básica (pelo menos no meu blog), né? A maioria dessas respostas já foi respondida aqui, então segura a língua aí e aproveita para ler o outro post que eu vou responder todo o resto aos apressadinhos de plantão.

Primeiramente, é fato: todo mundo sabe que blogar não é brincadeira. Ter que ouvir "não"s com mais frequência do que respostas positivas, seguir uma certa etiqueta pra não cair na lábia de blogueiras shames da vida, aturar gente que nem acompanha spameando o mural do blog, passar por um aperto enquanto não tem um layout decente, viver a paranoia constante com tudo o que envolve o blog, desejar ter mais leitores do que tem... Enfim, vários outros fatores que fazem o blogueiro ter vontade de desistir a cada dia que passa.



Cara, eu não sei se acontece isso com vocês, blogueiros que também são leitores do blog, mas quando eu olho para as minhas conquistas e pra tudo o que já deu certo com o Páginas Encantadas, a última coisa que me vem à cabeça é desistir. E não é só pelo material não, viu? Eu me tornei uma pessoa melhor com o meu blog. Fiz amigos incríveis que acrescentaram muito ao meu jeito de ser, além de ter adquirido muito mais conhecimento do que já tinha através da leitura.

Tudo bem que faz parte abrir mão de certas coisas. Muita gente não tem uma boa imagem de mim na escola por eu ser, basicamente, a "garota dos livros". E quem disse que eu ligo pra isso? Vou ter a vida toda à minha disposição para participar de festinhas, mas não terei tempo o suficiente para ler todos os livros que eu quero, além de gostar muito do que faço para me importar com a opinião alheia. E quando riem de mim por possuir um blog, só consigo pensar no quanto amo ter esse espacinho só meu, onde posso mostrar ao mundo o meu amor pelos livros e pelo que gosto.

Continuo a blogar porque amo escrever, ato que faz parte de mim, está incrustado na minha alma desde que aprendi a lidar com as palavras. Sou apaixonada por esse desafio que é conquistar leitores por meio do conteúdo e identidade visual da página, ganhar o coração do meu público por meio das palavras e fazê-lo me acompanhar. Não vou ser hipócrita e dizer que não continuo a blogar também pelo prestígio que os parceiros oferecem (até porque, seria uma mentira e tanto), mas esse é apenas um dos motivos. Um entre vários outros.

Adoro a sensação de ser valorizada quando conheço um blogueiro novo em algum evento e ele vem e diz aquela frase tão gostosa de se ouvir: "já conheço o seu blog". É mais legal ainda quando a pessoa te chama por já ter ouvido falar de você em algum canto da vasta internet e querer ouvir o seu "olá" fora da telinha. Cada like e follow novo, então? Já sinto um friozinho na barriga, de ver o quanto o blog está crescendo.

Mas acima de tudo, continuo a blogar pelas opiniões. Pelo público que conquistei e não abro mão. Ainda que de vez em quando seja muito cansativo retribuir comentários, gosto muito do feedback que recebo em cada post escrito com muito carinho e atenção. É como dar um chocolate gostoso em um amigo oculto e receber outro igualmente bom em troca, ao invés de um chocolatinho parafinado.

Nesses dois anos, sou muito feliz por ter construído tudo isso aqui. Acabou que de pouquinho em pouquinho, essa página se fundiu a mim e, mesmo que eu não chegue a terminar de escrever um livro, já tenho consciência de que pelo menos o Páginas Encantadas eu vou ter deixado para trás. Acima de tudo, sou blogueira por amor e paixão ao que faço; por sede de conhecimento e compartilhamento de informações. E espero poder continuar com o blog por muito mais tempo.


20/12/2013

Meia-noite



E lá eu estava, tamborilando meus dedos na mesa de madeira. O relógio do meu celular apitava quase dez horas, e nada dele. Já tinham me tirado para dançar e com o canto do olho, observei que um cavalheiro não parava de desferir olhares em minha direção. Repeliria o olhar com a rapidez de mil fadas madrinhas em serviço se soubesse quem era meu acompanhante, mas resolvi ignorá-lo, como toda boa moça acompanhada.

Balancei meus sapatos no ritmo da MPB que ecoava pelo salão, por baixo da mesa. Ao contrário do que vocês podem estar pensando, meus sapatos não eram feitos de cristal ou qualquer material semelhante. Pelo contrário, eu usava um par de scarpins pretos que ostentavam nada mais, nada menos que quinze centímetros de altura. Centímetros estes, que compensavam os meus míseros um metro e cinquenta e cinco.

Mas os sapatos e a minha baixa estatura deixaram de ter importância no momento em que meus olhos avistaram o vulto vermelho que entrava no salão. Ele tinha chegado. Passando a mão discretamente pelos cabelos castanhos bagunçados, ele se inclinava em direção à mesa que recepcionava todos os recém-chegados, prestando atenção em algo que uma moça de camisa vermelha e poá branco falava. De repente, as outras pessoas se fundiram em cores e formas abstratas.

Pausa, pode parar! Se você está mesmo achando que eu vou descrever um príncipe perfeito e mauricinho, feche isso aqui agora. Meninas e meninos, os príncipes ficaram no passado (desculpe, Harry). Estou prestes a iniciar a descrição de um perfeito - sim! - gentleman. Meus caros leitores, queiram saber que ao invés de um traje engomado, cintilante e cheio das purpurinas, o rapaz que fazia meu coração e infelizmente, o de várias damas correr uma maratona estava vestido com uma camisa vermelha, calça caqui branca e sapato social marrom claro. Seu sorriso era o brilho do salão, com dentes que, um pouco empurradinhos para frente, lhe proporcionavam um charme a mais.

O tal gentleman foi se aproximando de fininho, dando a volta por uma ou duas mesas até chegar a mim. A sensação era como estar em um carrinho de montanha-russa prestes a dar uma cambalhota completa, tudo isso só para levantar e ter o corpo envolvido por seu abraço apertado. Depois de desaparecer e reaparecer subitamente, ele voltou e me tirou para dançar, como dizem os mandamentos dos bons contos de fadas.

Mas deixa eu contar pra vocês sobre a coroa que eu estava usando! Antes, pó pará com essa ideia old fashioned. Como sou uma princesa fashion e a bela dama (quem falou em rainha? Século XXI, galera) está por dentro das tendências, a coroa pode ser encontrada dentre muitos outros pingentes da pulseirinha dourada com a qual ela me presenteou. Uma gracinha, fiquei apaixonada! Depois dessa breve troca de presentes, parti para a pista com meu acompanhante incrível.

Ressalto mais uma vez o quanto esse conto de fadas não é perfeito. Mas nem adianta fazer muxoxo, ó: perfeição é uma coisa tão sem graça! Quem imaginou que rodopiamos até a meia-noite no meio do salão se enganou redondamente. É certo que dançamos muito sob as luzes coloridas da pista de dança, mas rolaram umas três ou quatro pisadinhas no pé do meu darling no meio do processo. Que que foi? Meus pés foram feitos para sapatilhas de ponta, nada a ver com sandálias de salto, ora bolas! É claro que o queridinho teve que suar a camisa pra me dar umas aulinhas improvisadas. Mas posso revelar? Melhor que príncipe rodopiando princesa eternamente é gentleman dando aula na pista de dança. Puxa! Essa sim foi uma verdadeira demonstração de amor.

E como as palavrinhas que sussurramos um para o outro naquela noite pra lá de mágica vão ficar eternamente com a gente, só vou dizer a vocês que foram momentos muito felizes. Daqueles que roubam uma lagriminha do cantinho do olho, pode acreditar. Só que como eu estou contando uma historinha digna de conto de fadas, ela tem que terminar à meia-noite. É de praxe, vocês já sabem. Meia-noite é um horário tão digno! Não é old fashioned, brega, cafona ou qualquer outro dizer. Meia-noite é top, o tipo de hora que sempre vai ser especial. Seja pra realizar pedido, comemorar ano novo, natal, aniversário ou outras coisinhas.

E foi justamente por isso que à meia-noite, quando o baile terminou, tivemos de nos despedir. E eu fui embora mesmo, porque fiquei com medo do carro da minha mãe se transformar em uma abóbora.



Texto por: Natalia Leal.


16/12/2013

Meus hábitos de leitura preferidos!



Todo leitor que se preze tem hábitos de leitura. Ou vai dizer que você é uma estátua de pedra e fica parado enquanto lê? Foi o que eu pensei. Hoje resolvi listar os meus hábitos preferidos, aqueles que eu mais gosto de vivenciar enquanto estou lendo (a.k.a ritual sagrado). Espero que gostem e talvez, se identifiquem.

1. A escolha


Quem não gosta de escolher a próxima leitura? Eu amo. Adoro passear os dedos por lombadas que ainda não me dizem nada e ler sinopses por tempo indeterminado até que tenha o meu escolhido em mãos. Mesmo que as pilhas enormes de leituras ainda não realizadas seja deprimente, é um momento crucial para todo leitor, uma vez que uma boa escolha pode gerar bons momentos de leitura, ao passo que se o tiro sair pela culatra, a ressaca literária é garantida na certa.

2. Cheirar livros


Atire a primeira pedra quem nunca parou para cheirar o livro antes de começar a ler! Garanto que todo mundo já fez isso pelo menos uma vez na vida. Sou viciada no cheiro dos livros, é quase um caso para reabilitação! A cada nova leitura, preciso passar as páginas perto do nariz para sentir o cheirinho de livro novo, ou dependendo da situação, velho. E se você nunca sentiu o cheiro de um livro (seu anormal!) recomendo que pare de ler esse post agora e vá correndo procurar um exemplar para cheirar. Falo sério.

3. O marcador


Tem pessoas que confeccionam os seus, ou então pegam a famosa etiqueta-que-não-é-etiqueta de roupa. Tem gente que não tá nem aí e coloca qualquer bobeirinha entre as páginas só pra não perder o fio da meada, não se importando se o livro vai sujar ou não. Existem até aqueles românticos que enfiam tudo o que for pétala nas páginas para lembrar da pessoa amada improvisando aquele vodu básico, pro cheirinho da flor impregnar ou só esperando que o livro fique mais bonitinho. Não, meus queridos, eu não estou entre nenhum desses grupos.

A blogueira que vos fala simplesmente tem caixas e mais caixas com vários desses cartõezinhos estreitos (a.k.a marcadores) em cima do armário. Podem até me chamar de louca, mas eu faço uma seleção meticulosa para achar o marcador da vez. Sou dessas leitoras mega frescurentas que precisam combinar o marcador com a capa, fonte e tipo ilustração. Prazer, Natalia.

Tá bom, muitas vezes eu simplesmente abro um saquinho, pego qualquer marcador e et voilá, vamos começar a ler. Mas sempre que eu tenho tempo, gosto de sentar para escolher um cartãozinho de papel que seja corresponda a todas as minhas expectativas, ainda que minha coleção de marca-páginas seja capaz de encher caixas e caixas dessas enviadas pela Novo Conceito.

4. Conversando com o livro ou o ato de parecer uma maluca psicótica


Meu nome é Natalia Leal, tenho quinze anos, sou carioca e atualmente passei para o segundo ano do ensino médio, conjunto com um curso técnico em Administração de Empresas. E eu falo enquanto leio. Falo? Bem, não vou estar mentindo se contar para vocês que a situação é bem mais complicada do que uma palavrinha aqui e outra ali. Eu grito. Choro. Berro. Me apavoro. Sou capaz de roer minhas unhas até o sabugo e até jogar o livro no chão em casos mais graves. E não estou disposta a mudar, nem um pouquinho.



Já fui taxada de estranha muitas vezes por estar rindo "sozinha" ou reclamando baixinho de alguma coisa. Eu não consigo controlar! Sempre que me indigno com alguma coisa, me deparo com uma situação que me deixe ansiosa ou simplesmente leio uma sacada genial, preciso demonstrar. Tá, em parte isso acontece porque eu sou bem escandalosa, não consigo ficar sem demonstrar o que sinto na maioria das vezes, o que só piora as coisas. Quando eu digo que gesticulo, grito, faço e aconteço, é porque é mil vezes pior do que o que vocês imaginam, sem brincadeira.

E não importa o que digam, eu sou feliz assim. BEIJOS!

5. As anotações


Esse é um dos maiorais, tiro o chapéu pra esse hábito. É um saco interromper a leitura pra anotar algum quote emocionante ou pontuar alguma coisa que seria legal escrever na resenha, mas é muito bom terminar de ler o livro e ter, eternizados em um bloquinho/caderno/folha de papel comentários sobre a leitura mais recente. Meus amigos até acham engraçado quando me vêem anotando alguma coisa e depois folheiam o bloquinho em questão, que sempre está lotado de anotações.

Você não precisa ser blogueiro ou resenhista para começar a fazer suas anotações, é sempre bom manter alguma recordação sobre o livro que você andou lendo, ainda que sejam só rabiscos tipo "pipoca", "uou, que atitude maravilhosa (página 360, linha 3)" ou um quote qualquer. É um hábito super saudável que eu recomendo a todos!



6. Música, maestro!


Eu tenho uma relação muito forte com a arte, não sei se vocês já sabem. E claro que com a música, uma de suas vertentes, não seria diferente. Como sou bailarina, a música meio que corre nas minhas veias desde que pisei numa sala de ballet pela primeira vez e os meus hábitos musicais acabaram se infiltrando nos meus momentos literários.

Apresento a vocês, o meu hábito de criar playlist para livros! Acredito essa mania não deve ser estranha a alguns, já que qual é, é muito difícil ler um livro e não lembrar de pelo menos uma letra/ritmo de uma musiquinha conhecida. Nem que seja um hit nada a ver que você escutou na rádio de manhã. Quando as páginas viram e eu não tiro aquela música de fundo da cabeça, a coisa já está feita: ela entrou para a trilha sonora da minha leitura do momento. Aí a fatalidade é aquela, sempre que escuto determinadas músicas, lembro de cenas que aconteceram em livro x. Acontece!

7. Debate


Quando estou lendo um livro que gosto muito, é impossível controlar esse hábito de indicá-lo para milhões de pessoas, até que eu encontre uma que seja capaz de satisfazer a minha vontade de debater a respeito do livro. Eu fico insana, sério! A coisa é bem pior quando me prendo a um livro que quase ninguém conhece, eu dou o melhor de mim para torná-lo conhecido rapidinho (pelo menos entre as pessoas com quem mantenho contato). O meu ápice foi fazer com que boa parte do meu grupinho de amigos lesse Sob a Redoma, obra do rei Stephen King, que tem mais de 960 páginas e uma trama absurdamente maravilhosa.

8. Listar as próximas leituras


Ah, vai? Quem nunca deu uma de vidente e quis prever que livros estaria lendo depois da leitura atual? De vez em quando, gosto muito de selecionar alguns títulos que combinem com o meu espírito literário momentâneo e os empilho, com o intuito de devorá-los um a um. Tudo bem que não é sempre que dá certo (até porque eu não tenho cara nem talento pra trabalhar com produtos esotéricos), mas a seleção sempre costuma ser divertida.



E é isso, pessoal! Caso vocês tenham se identificado com o post, peço que comentem dizendo com que tópicos se sentiram mais familiarizados.

See ya!




Fotografia por: Ricardo Veloso.
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Livros que aparecem nas fotos:
Dias Melhores Pra Sempre, Maurício Gomyde
Quero Ser Beth Levitt, Samanta Holtz
Até Eu Te Encontrar, Graciela Mayrink
Guardians, Luciane Rangel
Ser Clara, Janaina Rico
Simplesmente Ana, Marina Carvalho
João & Maria, Ana Paula Bergamasco e Marcos Bulzara


12/12/2013

Calendário



Estou sendo abordada constantemente por um sentimento que se diz chamar Saudade. A tal chegou de mansinho, batendo na minha porta, pedindo para entrar porque "a chuva lá fora está alagando tudo o que vê pela frente". Acho que é por você estar viajando e a casa estar vazia que eu a deixei entrar, toda ensopada, necessitando de um chá quente e um abrigo temporário até que as gotas lá fora se aquietassem na escuridão dos bueiros solitários.

Eu nem sei o porquê, mas essa estranha visita me incitou a procurar no celular por algumas fotos nossas, sorrindo meio abobalhados um pro outro, numa daquelas tardes de nada-pra-fazer, lembra? E daí, sem nem avisar, colocou pra tocar no Deezer (como ela descobriu que é meu passatempo escutar músicas nesse player?) a playlist que tem as músicas que você mais gosta.

Sim, já a chamei de abusada e tantos outros nomes que não me recordo mais. O problema é que essa senhora, além de ter se revelado uma conhecida, é bem insistente. Depois de um biscoito ou outro, me convidou a revisitar aquela caixinha onde guardei todas as pétalas das rosas que você me deu, as palhetas daquele violão, o mesmo que você disse que tocava pensando em mim. Pois é, meu bem, a querida e estimável Saudade me pediu para relembrar o cheiro do seu perfume favorito e inclusive, desenferrujar as cordas do outro violão, aquele que você tentava me ensinar a tocar nas tardes de verão.

É claro que eu comecei a ficar incomodada. Lágrimas estavam ameaçando descer pelo meu rosto e eu já não queria ocupar minha cabeça com os pensamentos que estavam surgindo. Era injusto, você precisava desse tempo único para se recuperar do estresse causado pelo ensino médio e espairecer. Duh, que bobeira a minha, ficar me preocupando com... A sua volta. Faltavam só três dias, que loucura ficar me roendo por causa disso.

Mas a culpa é dela, amor, foi ela. Ela me fez desenhar um calendário desalinhado no meu quadro de giz, marcando os dias que faltavam para que eu estivesse nos seus braços de novo. Foram as ordens dela que segui enquanto escrevia o meu próprio romance em que o mocinho era praticamente um espelho seu! Eu nem sei no que estava pensando, aliás, no momento em que resolvi assistir a cada filme que assistimos juntos (até o mais trash!), na companhia de um prato de pizza, um copão de Coca (normal, porque zero eu sei que você não gosta que eu tome) e claro, minha nova hóspede.

Vez em quando eu parava pra escutar aquela gravação que você fez para que eu dormisse melhor e me mandou pelo Facebook. Quando me deu na telha até procurei pelo cover que você gravou só pra mim! Sabia que era ele que me fazia companhia nas madrugadas em que o sono não chegava? Pode acreditar... E toda noite, só porque você colocou essa ideia na minha cabeça, eu parava para ver a lua, porque eu sabia que onde quer que você estivesse, estaria olhando pra ela também, assim como eu.

O tempo foi passando e eu fiz de tudo para te tirar da cabeça e mandar a Saudade embora. Só que sei lá, parecia que ela tinha gostado do meu cantinho e havia resolvido passar mais tempo aqui, tirando o fato de que a chuva no Rio de Janeiro não dava trégua de jeito nenhum, o que não melhorou tanto a situação. Antes de te escrever, já tinha tentado rearrumar meus livros na estante, adiantar alguma leitura, fazer as unhas e até mesmo aprender alguma música nova no violão, só pra te impressionar.

Mas se você perguntar se deu certo, vou ter que te desapontar com uma negativa (não consegui nem aprender a música nova porque sou um desastre com as cordas) e ver esse sorriso de dentes meio empurradinhos pra frente murchar num instante. Só pra você ter uma ideia de como minha hóspede podia se gabar de sua fama, até o livro que peguei para ler tinha uma passagem sobre ela. É claro que eu me identifiquei, mas a gente não precisa espalhar pra ela não sair falando por aí.

Só que no fundo eu sabia, ficou na minha consciência o pensamento de que você chegaria. Eu não sabia se a Saudade ia gostar dessa ideia, mas pouco me importava com o que ela achava ou deixava de achar. Acima de tudo, só queria voltar a ver vários filmes e episódios de Gossip Girl nos seus braços, te mimar com palavras de carinho e assistir enquanto as suas bochechas ficavam vermelhas num átimo. E mesmo que eu tivesse que acabar com o meu calendário inventado e mandar embora toda e qualquer visita com grosseria ou não, eu queria você de volta. Bem aqui. Juntinho de mim.



Fotografia por: Ricardo Veloso.
Texto por: Natalia Leal.


27/11/2013

Blogueira.



Acordou cedo, aos primeiros raios de sol. No céu que se destrinchava além da janela localizada à esquerda, uma mistura de cores brincava ao lado das nuvens, lembrando a tela de um artista inspirado. Com um suspiro de sono e os olhos apertados pela sensação de ainda não ter despertado, lavou o rosto no banheiro apertado e fez a higiene bucal. Livre do mau hálito matinal e com os cabelos esquecidos embaraçados e bagunçados, rumou à cozinha, despejando leite e chocolate em pó em uma caneca repleta de citações de Shakespeare, outrora seu escritor favorito.

Após provar do líquido marrom e ajustá-lo ao seu gosto, apanhou caneca e se direcionou ao escritório improvisado que tinha montado ao lado do quarto. Ignorando a papelada mal organizada na mesinha de trabalho, abriu o notebook e deu um clique no botão de ligar, ajeitando a caneca cuidadosamente sobre o suporte de copo já disposto ao lado do eletrônico. Enquanto a tela ficava azul e aguardava que a proprietária digitasse a senha, a mesma voltou para o quarto, buscou dois travesseiros (não sem antes tropeçar em um tênis largado no meio do caminho) e entrou novamente no escritório, onde acomodou os travesseiros na poltrona confortável em que trabalhava e digitou rapidamente os caracteres que compunham a senha do precioso notebook.

Tomando cuidado para não orquestrar outro desastre que comprometesse seu bem-estar, ela deslizou para mini-sofá que tinha comprado para não sofrer com dores nas costas e observou as pilhas de livros adesivados com diversos post-its ao redor da mesa. Bebendo um gole do achocolatado (e acidentalmente, queimando a ponta da língua), ela pegou o livro que ocupava o topo da pilha e se pôs a ler as anotações que havia colado por todo ele nos papeizinhos coloridos, reescrevendo coisas e tomando algumas notas em uma agendinha que estava ali perto.

Incomodada com o cabelo solto e a posição desleixada na poltrona, deu um nó nas mechas escuras e grossas, obtendo um coque no topo da cabeça; ajeitou a coluna, empurrou os ombros para trás e cruzou as pernas, adquirindo a postura correta. Estando pronta para começar a trabalhar, deu uns cliques aqui e ali com o auxílio do mouse e logo já tinha a página branca de edição do blog à sua frente, esperando para ser preenchida. Aquele seria um longo dia.


17/11/2013

7 Maneiras de Animar o Domingo!




Oi, gente! Tudo bem com vocês?

Boa parte das pessoas que eu conheço têm um sério preconceito com o domingo. Todo mundo simplesmente lembra do sétimo (ou primeiro, dependendo do ponto de vista) dia da semana como o pior dia da mesma.

Ah, para!

Hoje eu vim te ajudar a quebrar essa manha e fazer do domingo mais um dos dias mais divertidos da sua semana com essa listinha. Topa? Então bora lá!

1. Pare de ler esta lista agora e vá tomar um banho fresco. Tá, pode ser quente, se aí estiver frio (ou frio, se aí estiver muito quente). Todo mundo sabe que depois de um banho, parece que acordamos de um longo sono e estamos prontos para tudo. Mas é isso mesmo! Você estava dormindo até sentir a água cair pelo seu corpo e sair do banheiro enrolado na toalha, cheirando a sabonete e shampoo. Eu espero você voltar, não tem problema! E se você for daquelas pessoas que já tem o hábito de tomar banho assim que acorda todo os dias, já pode riscar esse item da sua lista, YAY!

2. Escute a playlist que eu criei exatamente para te animar hoje. Ela possui nomes como Cody Simpson, Sara Bareilles, Eliza Doolittle e Colbie Caillat, um time que está pronto para dar um up no seu astral. Tá esperando o que para encher os ouvidos com música?



3. Planeje o que você vai fazer, para não perder o dia. De preferência, tente colocar suas prioridades antes e a diversão depois. Se tiver que estudar para alguma prova que terá amanhã, aproveite a tarde e estude. Se tiver o quarto para arrumar, não tem problema! A playlist te ajuda. E se não tiver nada para fazer... Continue lendo.

4. Aproveite para pôr em dia algum seriado. Se estiver com todos em dia, pode parar para assistir aquele filme que você tanto quer aproveitar. Opa, não sabe qual assistir? Que tal uma lembrancinha? Aí embaixo indico algumas séries que gosto:



5. Leia um livro! Se você não fizer parte do grupo de leitores viciados que têm pilhas e mais pilhas de leituras atrasadas, posso te ajudar com algumas dicas.

6. Se a leitura não for seu forte, ou apenas não tiver $$$ no bolso e pilhas de livros te esperando, tenho outra dica para você. Faça alguma sobremesa em casa! Não tem nada que anime mais um dia do que um docinho preparado por você mesmo. Para te ajudar, tenho um DIY fresquinho que encontrei por aí:



7. Tá cansado de ficar sozinho de cara pro computador? Então chame alguém para compartilhar uma sessão de Em Chamas ao seu lado! Eu já assisti o filme na estréia e é muito bom, do tipo que vale a pena assistir mais vezes. Ou seja, se já tiver visto, que tal assistir de novo e, de quebra, levar alguém especial?

E essa foi a listinha que eu preparei hoje especialmente para você, que está se sentindo entediado e não tem nada para fazer. Quer um segredo? É isso que eu faço quando estou me sentindo assim, garanto que funciona!

Até a próxima!


08/11/2013

Bela ou Fera?



Por andar muito com meninos, é natural que o assunto "garotas" seja bem presente no meu dia-a-dia, mais especificamente, seus aspectos físicos. Claro que os termos que definem seus alvos são muito diferentes dos que eu usaria, uma vez que não é muito difícil de se escutar um "gostosa", "dada" ou então, em alguns casos, palavrinhas mais pesadas oriundas do famoso vocabulário moleque, usado no auxílio para definir o corpo, mentalidade ou atitudes de uma garota.

Entretanto, uma coisa que me intriga bastante é que quase sempre a minha opinião é muito diferente da deles. É claro que, pela convivência, eu sei definir que atributos uma garota precisa ter para ser classificada como "gostosa". Na maioria das vezes, essas meninas são aquelas donas de seios fartos, pernas grossas e uma retaguarda um tanto avantajada.

A questão é: enquanto eles praticamente se ajoelham aos pés desses tipos de garota, que em sua maioria, possuem o cérebro tão vazio quanto uma rua interditada, eu apenas torço o nariz. E, querido leitor do sexo masculino, eu não estou de "recalque", como você provavelmente pensou. O ponto é que eu penso diferente desses rapazes e de algumas moças que compõe a nossa sociedade.

Ultimamente, as meninas consideradas bonitas, além de ao mesmo tempo serem denominadas como "gostosas", como eu citei acima, são dotadas de características como cabelos lisos e geralmente longos, narizes finos e lábios rosados. O olho claro passou a ser opcional, mas me parece que as que possuem esse tal dote, ganham um bônus especial de beleza, dependendo do enquadramento de tal extra no rosto.

Como vocês podem observar, nossos rapazes são extramente críticos, por várias vezes, passando dias inteiros sob os cuidados de analisar as garotas ao redor do mundo. Mas será que tudo isso define a beleza de uma jovem? Queridos leitores, eu fico indignada quando qualquer um dos meus amigos denomina "bonita" uma garota que não possui um bom caráter. Afinal, de que adianta ter um corpo lindo e a arcada dentária certinha, se o cérebro é tão vago quanto vagão de trem indo pra garagem? Pessoalmente, não consigo achar bonita uma garota que faz fofoca, age com injustiça e se joga na primeira intriga que souber.

É por valorizar a personalidade e outros aspectos do ser humano, como a inteligência e o caráter, que quando se trata de beleza, o meu olho crítico transpassa o físico. Considero bonitas aquelas meninas que trazem consigo o brilho no olhar, o riso implícito nos lábios e o gosto de viver nas bochechas coradas. Aquelas que exibem as covinhas então, que bônus poderoso! Sou muito fã.

Também admiro muito a maneira como algumas de minhas colegas conseguem ser introspectivas, apenas preocupadas em folhear algum livro ou repassar para si mesma algum exercício dado em aula. Adoro gente que fala sozinha, divaga enquanto parado e sente o vento passar balançando os cabelos com gosto. Por que não caracterizar como "gostosa", a gargalhada de uma mulher? Por que não "dada", aquela menina que se joga para a vida, que tem o prazer de curtir cada momento e viver experiências novas?

Qual o problema da sociedade de hoje em dia, que costuma valorizar as meninas de cabeça vazia? Claro que não estou dizendo que todas as meninas que se encaixam nas características que os meninos supervalorizam façam parte desse perfil, existem exceções. Acredito que os humanos à minha volta perdem muito desprezando a sua capacidade de observar, perceber pequenas revelações que acontecem à sua volta. Se olharem melhor, vão tomar consciência de que o que tanto desvalorizam, pode ser o mais precioso dos tesouros.

Pense bem, pois a menina que você classifica como Fera, pode ser a Bela dos seus sonhos e estar a dois dedos do seu nariz. Mas você nunca a verá dessa maneira, por causa do rótulo que você mesmo impôs.


17/10/2013

Padrões



O que é certo ou errado na blogosfera? Existe algum tipo de lei ou constituição com tudo o que se deve ou pode fazer em um blog literário? Bem, eu não sei.

Nunca fui uma pessoa de seguir padrões. Já sofri muito na escola por virar para coleguinhas influentes e transformar seus sorrisos debochados em uma careta pela simples pronúncia de um "não". Não sou dessas garotas que curte avidamente uma night e beijar muitas bocas. De acordo com esse padrão, sou um tanto refreada. Essa minha característica de não querer ser influenciada pelo que dizem que deve ser feito me deu um trabalhão para ser desenvolvida e devidamente mantida, porque as pessoas simplesmente não aceitam isso com facilidade.

Recentemente, venho lendo posts no facebook, tweets e textos em blogs de blogueiras - não mencionarei nomes - aparentemente criticando o que se deve ou não fazer em um blog. Pera aí, então como blogueira, eu preciso seguir algum tipo de regra na hora de escolher o que eu vou postar para os meus leitores? Acho que não. Passei tanto tempo insistindo em ser diferente, em seguir as minhas regras pra uma pessoa chegar do nada e dizer que o meu blog só pode ter resenhas, lançamentos de livros e coberturas de eventos por ser literário? Não acho que seja assim que a coisa funcione.

Vou me abrir com vocês: não é todo dia que eu acordo com vontade de resenhar algum livro que eu li, os lançamentos que as editoras me mandam nem sempre me parecem interessantes o suficiente pra divulgar pra vocês e não compareço a eventos aqui no Rio o bastante para garantir coberturas semanais aqui no blog. Eu faço o que eu posso, na medida do possível e de acordo com a minha vontade.

Não criei o blog para ser uma obrigação, algo que me atrapalhasse nos estudos e exigisse demais de mim. Estou cansada de limitar o meu blog apenas a livros (não me entendam mal, sou apaixonada por eles) porque as pessoas acham que é o que eu tenho que fazer. Já repararam o quanto eu usei "as pessoas acham", "fulaninho disse", "não sei quem postou", só nessa postagem? Pois é, acontece que eu não gosto de seguir o que a sociedade acha que é certo ou errado. Eu sempre me considerei dona das minhas regras.

Páginas Encantadas nasceu com o objetivo de ser um blog no qual eu pudesse me expressar, mostrar as minhas paixões, expôr o que eu amo fazer. Eu amo ler, mas - bem que eu queria! - não devoro livros 24 horas por dia, 7 vezes na semana. Já falei de tantas páginas aqui, na maioria das vezes, páginas literárias. E as páginas da minha vida, como ficam?

Não quero mais saber de me conter aqui no blog. Cada dia vou postar algo diferente, trazer mais diversidade pra vocês. Fala sério, é muito chato (pelo menos ao meu ver) entrar em um blog e só ver resenha, resenha, release, resenha, release, publicidade. É claro que os livros vão continuar sendo o foco desse espaço, mas eu espero poder colocar mais cores nessa tela, se é que vocês me entendem.