Mostrando postagens com marcador conto de fadas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador conto de fadas. Mostrar todas as postagens
30/01/2014

Um livro em inglês por mês #1

Oi, pessoal! Como é que vocês estão?

Hoje venho apresentar a vocês mais uma parte da minha meta pessoal para 2014 (que eu decidi iniciar pra valer nessa quinzena mesmo).

Como andei observando que apesar de ter muito contato com a língua, não leio livros em inglês com tanta frequência quanto gostaria, resolvi ler pelo menos uma obra a cada mês, totalizando no final do ano, ao menos 12 leituras em outra língua.

E para dar um gás nessa meta e não desistir de jeito nenhum, depois de muito pensar concluí que seria legal deixar vocês acompanharem o processo, o que significa que a cada mês vocês vão encontrar um post como esse.


A beast. Not quite wolf or bear, gorilla or dog but a horrible new creature who walks upright—a creature with fangs and claws and hair springing from every pore. I am a monster.

You think I'm talking fairy tales? No way. The place is New York City. The time is now. It's no deformity, no disease. And I'll stay this way forever—ruined—unless I can break the spell.

Yes, the spell, the one the witch in my English class cast on me. Why did she turn me into a beast who hides by day and prowls by night? I'll tell you. I'll tell you how I used to be Kyle Kingsbury, the guy you wished you were, with money, perfect looks, and the perfect life. And then, I'll tell you how I became perfectly . . . beastly.


O livro desse mês eu ganhei de presente do meu namorado, que observou o quanto eu fiquei fascinada pelo exemplar disponível na Livraria Cultura do centro do Rio, quando demos uma passadinha lá durante Black Friday.

Super fofo, né? Qual não foi a minha surpresa ao descobrir que ele tinha rodado o Rio de Janeiro inteiro para achar outro paperback de Beastly em uma lojinha aleatória do centro e me dar de presente, já que o livrinho que vimos estava bem machucadinho.

Enfim, como sou apaixonadíssima por contos de fadas e suas releituras, não me admirei com o quanto me fascinei por esse livro. Ainda estou lendo, mas adiando a leitura a cada momento para não deixar a história escapar. Como a escrita da autora é fácil e os personagens, bem sólidos, é difícil parar de ler e não se apaixonar pelo clima moderno salpicado pela magia dos contos de fadas.

Para quem não tem o costume de ler em inglês, mas se interessou pelo livro, a versão brasileira dele é essa aqui:


Eu sou uma fera. Uma fera. Não exatamente um lobo, ou um urso, um gorila ou um cão, mas uma terrível criatura que anda em duas patas — uma criatura com dentes e garras e pelos surgindo de cada poro de minha pele. Sou um monstro. Você acha que estou falando de contos de fada? De jeito nenhum. O lugar é Nova York. O momento é agora. Não sofro de uma deformidade ou uma doença. E vou ficar dessa forma para sempre — destruído —, a não ser que possa quebrar o feitiço. Sim, o feitiço, aquele que a bruxa da minha aula de inglês lançou sobre mim. Por que ela me transformou em uma besta que se esconde durante o dia e rasteja à noite? Vou lhe contar. Vou lhe contar como eu costumava ser Kyle Kingsbury, o cara que você gostaria de ser, com dinheiro, beleza e uma vida perfeita. E aí vou contar como me tornei... a fera.


Eu só não sei se a leitura do livro em português vai ser tão prazerosa quanto com a escrita íntegra da autora (a tradução faz toda a diferença), mas vale a pena tentar, já que a história em si é muito gostosa de se ler.

Espero que vocês gostem de acompanhar as minhas leituras em inglês! Comentem o que acharam desse post para eu saber se os outros vão ser bem vindos. O feedback de vocês é muito importante!

Até mais!


20/12/2013

Meia-noite



E lá eu estava, tamborilando meus dedos na mesa de madeira. O relógio do meu celular apitava quase dez horas, e nada dele. Já tinham me tirado para dançar e com o canto do olho, observei que um cavalheiro não parava de desferir olhares em minha direção. Repeliria o olhar com a rapidez de mil fadas madrinhas em serviço se soubesse quem era meu acompanhante, mas resolvi ignorá-lo, como toda boa moça acompanhada.

Balancei meus sapatos no ritmo da MPB que ecoava pelo salão, por baixo da mesa. Ao contrário do que vocês podem estar pensando, meus sapatos não eram feitos de cristal ou qualquer material semelhante. Pelo contrário, eu usava um par de scarpins pretos que ostentavam nada mais, nada menos que quinze centímetros de altura. Centímetros estes, que compensavam os meus míseros um metro e cinquenta e cinco.

Mas os sapatos e a minha baixa estatura deixaram de ter importância no momento em que meus olhos avistaram o vulto vermelho que entrava no salão. Ele tinha chegado. Passando a mão discretamente pelos cabelos castanhos bagunçados, ele se inclinava em direção à mesa que recepcionava todos os recém-chegados, prestando atenção em algo que uma moça de camisa vermelha e poá branco falava. De repente, as outras pessoas se fundiram em cores e formas abstratas.

Pausa, pode parar! Se você está mesmo achando que eu vou descrever um príncipe perfeito e mauricinho, feche isso aqui agora. Meninas e meninos, os príncipes ficaram no passado (desculpe, Harry). Estou prestes a iniciar a descrição de um perfeito - sim! - gentleman. Meus caros leitores, queiram saber que ao invés de um traje engomado, cintilante e cheio das purpurinas, o rapaz que fazia meu coração e infelizmente, o de várias damas correr uma maratona estava vestido com uma camisa vermelha, calça caqui branca e sapato social marrom claro. Seu sorriso era o brilho do salão, com dentes que, um pouco empurradinhos para frente, lhe proporcionavam um charme a mais.

O tal gentleman foi se aproximando de fininho, dando a volta por uma ou duas mesas até chegar a mim. A sensação era como estar em um carrinho de montanha-russa prestes a dar uma cambalhota completa, tudo isso só para levantar e ter o corpo envolvido por seu abraço apertado. Depois de desaparecer e reaparecer subitamente, ele voltou e me tirou para dançar, como dizem os mandamentos dos bons contos de fadas.

Mas deixa eu contar pra vocês sobre a coroa que eu estava usando! Antes, pó pará com essa ideia old fashioned. Como sou uma princesa fashion e a bela dama (quem falou em rainha? Século XXI, galera) está por dentro das tendências, a coroa pode ser encontrada dentre muitos outros pingentes da pulseirinha dourada com a qual ela me presenteou. Uma gracinha, fiquei apaixonada! Depois dessa breve troca de presentes, parti para a pista com meu acompanhante incrível.

Ressalto mais uma vez o quanto esse conto de fadas não é perfeito. Mas nem adianta fazer muxoxo, ó: perfeição é uma coisa tão sem graça! Quem imaginou que rodopiamos até a meia-noite no meio do salão se enganou redondamente. É certo que dançamos muito sob as luzes coloridas da pista de dança, mas rolaram umas três ou quatro pisadinhas no pé do meu darling no meio do processo. Que que foi? Meus pés foram feitos para sapatilhas de ponta, nada a ver com sandálias de salto, ora bolas! É claro que o queridinho teve que suar a camisa pra me dar umas aulinhas improvisadas. Mas posso revelar? Melhor que príncipe rodopiando princesa eternamente é gentleman dando aula na pista de dança. Puxa! Essa sim foi uma verdadeira demonstração de amor.

E como as palavrinhas que sussurramos um para o outro naquela noite pra lá de mágica vão ficar eternamente com a gente, só vou dizer a vocês que foram momentos muito felizes. Daqueles que roubam uma lagriminha do cantinho do olho, pode acreditar. Só que como eu estou contando uma historinha digna de conto de fadas, ela tem que terminar à meia-noite. É de praxe, vocês já sabem. Meia-noite é um horário tão digno! Não é old fashioned, brega, cafona ou qualquer outro dizer. Meia-noite é top, o tipo de hora que sempre vai ser especial. Seja pra realizar pedido, comemorar ano novo, natal, aniversário ou outras coisinhas.

E foi justamente por isso que à meia-noite, quando o baile terminou, tivemos de nos despedir. E eu fui embora mesmo, porque fiquei com medo do carro da minha mãe se transformar em uma abóbora.



Texto por: Natalia Leal.