Autor: Kass Morgan
Editora: Galera Record
Páginas: 288
Preço: 19,00 no Submarino
Velocidade da leitura: Rápida - Média - Demorada
Ano: 2014
Sinopse: Desde a terrível guerra nuclear que assolou a Terra, a humanidade passou a viver em espaçonaves a milhares de quilômetros de seu planeta natal. Mas com uma população em crescimento e recursos se tornando escassos, governantes sabem que devem encontrar uma solução. Cem delinquentes juvenis — considerados gastos inúteis para a sociedade restrita — serão mandados em uma missão extremamente perigosa: recolonizar a Terra. Essa poderá ser a segunda chance da vida deles... ou uma missão suicida.
Desde o evento da Galera Record eu tinha uma certa curiosidade quanto ao livro que originou a série queridinha do momento: The 100. Apesar de definitivamente não fazer o tipo que curte ficção científica, me atentei aos comentários positivos dos blogueiros e leitores em geral e resolvi solicitar a obra em parceria com a editora. As expectativas não estavam tão altas quando o livro chegou aqui em casa e, por isso, acredito que eu tenha subestimado os poderes de Kass Morgan como escritora.
A capa do livro e sua edição já me chamaram a atenção assim que desembrulhei o pacote em que ele veio, atiçando a minha vontade de ler. Gostei muito da textura presente no título do livro e da maneira com que as imagens foram manipuladas, dando um diferencial à sua capa. A revisão deixou um pouquinho a desejar, embora não tenha encontrado erros exorbitantes. Curti bastante a tradução proporcionada pela editora e não me desapontei com a impressão (yay!), que se manteve perfeita durante toda a leitura.
O plot que temos aqui é o seguinte: em uma era futurística, pós-apocalíptica, a Terra foi assolada por uma guerra nuclear e seus sobreviventes (as pessoas mais abastadas da população, que não foram infectadas pela radição), destinados a viver em uma grande nave com um estoque de oxigênio e recursos para sustentá-los. Nasce assim, uma sociedade opressora e regida por um Chanceler, que junto com o seu conselho, pune com penas de morte os habitantes infratores maiores de dezoito anos. Já peço que descartem a ideia de grandes criminosos e assassinatos presentes na nave, que foi distribuída em três distritos: Phoenix, Walden e Arcadia. São punidos com pena de morte os adultos culpados por crimes que vão desde furtos a assassinatos.
Além desse regime rígido, foi implantada na população uma lei que reduz a natalidade: só é permitido ter apenas um filho por família. Ou seja, se uma mulher gerar duas crianças ou mais, será condenada a morte imediatamente. Aí você deve estar se perguntando, e quanto aos menores infratores? Então, esses permanecem isolados em uma cela e são rejulgados pelo conselho quando completam seus dezoito anos, podendo ser absolvidos ou executados (o que quase sempre acontece). E é esse o caso da maioria dos cem escolhidos para revisitar a Terra e descobrir se ela é habitável. Caso eles sobrevivam à missão, receberão o perdão por parte da justiça e poderão viver vidas normais. Antes disso, porém, eles terão que enfrentar os desafios do mundo que os aguarda.
Premissa dada, curiosidade despertada, comecei a ser envolvida pela escrita leve da autora Kass Morgan. Através de capítulos curtos e sob a perspectiva em terceira pessoa dos quatro personagens principais, a autora me cativou com a sociedade criada e a exploração dedicada a cada personagem. Todos eles são bem desenvolvidos e destrinchados aos olhos do leitor, de forma que pude escolher por quem torceria conforme a história se desenrolava, quando podemos descobrir como cada um foi parar no isolamento e de que maneira isso vai interferir em seu caráter. Como introdução a toda uma série, foi bem legal poder acompanhar o quarteto, já que todos eles tem uma história diferente para contar e passam por dificuldades extremamente diversas, dando ao leitor uma curiosidade imensa no que se trata de descobrir o que os levou àquela situação.
Além disso, em The 100 podemos acompanhar vários confrontos envolvendo o preconceito contra a elite existente na nave (mais especificamente, o pessoal que vive em Phoenix), a desordem promovida pelos adolescentes e o fato de que ninguém quer obedecer ordens, e sim, ditar o que deve ser feito. No meio disso tudo, são estabelecidas regras e punições. Num todo, é sensacional observar enquanto uma nova sociedade é formada aos trancos e barrancos.
Ao longo de tudo isso, a ação está sempre presente nessa formação desajeitada: tem muitas cenas de combate, tiros rolam soltos e o desconhecido se revela prestes a dar o bote em quem der bobeira. Também é incrível o fato de que mesmo num cenário desses, o desenrolar de um triângulo amoroso se aproxima. Não vou dar detalhes sobre quem se envolve com quem, isso deixo para vocês conferirem, mas já adianto que não faço parte do team que apoia o mocinho que se diz inocente, como sempre.
Outros detalhes que eu achei bem desenvolvidos além da caracterização dos personagens foram a trama e a ambientação da mesma. Gostei muito de encontrar uma Terra primitiva e com resquícios pós-guerra, ainda como influências do nosso século e alguns traços do conteúdo da história do século XXI que foram deixados para trás. Tudo isso só demonstra o quanto a autora foi cuidadosa com sua obra, o que me admirou muito no geral e me preparou para o próximo volume, já intitulado por Day 21, que está sem previsão de lançamento.
Só por essas considerações vocês já devem ter percebido o quanto eu amei esse livro, não é mesmo? Com relação a série, eu não recomendo que assistam antes de ler o livro, pois a diferença entre ambos é tão grande que dá um nó na cabeça de quem tentar. Leiam o livro, depois assistam a série e tudo vai ficar bem. As duas criações são excelentes e eu recomendo muito para quem é fã de histórias pós-apocalípticas com um gostinho de quero mais.










































